Revista Rua

2018-11-08T14:21:44+00:00 Cultura, Fotografia

Sobre as terras da liberdade

@joao.fanzeres está na RUA
Nuno Sampaio4 Junho, 2018
Sobre as terras da liberdade
@joao.fanzeres está na RUA

A natureza está muito presente na tua página. Fotografá-la é um escape ou uma filosofia de vida?

Talvez seja o encontro entre um modo de vida e um escape. A rotina do homem contemporâneo é cada vez menos autêntica. Novos valores e novas práticas impõem-se àquelas que moldaram a nossa evolução durante anos e anos. Busco por um equilíbrio saudável de forma a que tanto seja possível acompanhar o crescimento da nossa sociedade e responder às suas imposições como, por outro lado, manter-me fiel à minha essência, às minhas origens e costumes. A minha fotografia reflete um pouco este paradigma – o eu no mundo natural. Como temas centrais na minha constante busca está o oceano e a montanha que representam dois dos elementos da natureza – terra e água. É envolvido pela natureza que me sinto desprendido da realidade que a sociedade nos determina, mais espontâneo, mais puro, mais eu.

As cidades estão cheias; o mundo está cheio de cidades. Contudo, ainda existem locais no nosso planeta onde a civilização não chegou. É urgente preservar o universo natural que ainda resta? Mostrá-lo é uma forma de sensibilização?

A cidade tornou-se no símbolo da sociedade moderna e apesar de sabermos que o crescimento urbano irá manter-se nas próximas décadas, é fundamental entendermos esse crescimento mesmo que aconteça de forma controlada, com harmonia e respeito para com todos os elementos deste planeta. Esta dualidade entre a vida na natureza e na cidade é algo que provoca uma força a dois tempos. Por um lado, o verdadeiro sentido do homem e a natureza e, por outro lado, a essência do homem e a máquina no meio urbano. Felizmente, antigos valores que zelam por um crescimento sustentável estão a ganhar cada vez mais força entre nós. Creio haver espaço neste planeta para o crescimento expectável, assim como certos locais naturais deverão manter-se longe e protegidos de qualquer tipo de intenções que não garantam a sua valorização. A fotografia é um dos métodos mais imediatos na sensibilização da preservação da natureza.

A liberdade de estar em conexão com a natureza revela a personalidade de um indivíduo que a observa e “trabalha”, como tu?

Podemos entender que há um grande elo de ligação entre aquilo que eu sou e o contributo da natureza na minha formação e crescimento. A minha infância foi vivida exatamente entre o meio urbano e o meio natural. Desde muito cedo demonstrei um enorme interesse por desportos de aventura e atividades outdoor que, por sua vez, estavam intrinsecamente relacionados com o meio natural. Mais tarde, frequentei o curso de arquitetura onde desenvolvi imenso as minhas capacidades em observar e compreender o que me rodeava –  existia uma forte componente de imagem. Foi bastante importante entender a evolução da construção urbana que, por sua vez, moldou a nossa identidade, a nossa essência. Creio que cada indivíduo possui a sua própria essência que é determinada por uma enorme quantidade de fatores externos que o vão moldando desde o nascimento à morte. Neste sentido, posso afirmar que sim, “a liberdade de estar em conexão com a natureza revela a personalidade de um indivíduo que a observa”.

Um sítio que sonhes fotografar um dia.

É impossível nomear apenas um sítio. Destaco as grandes cordilheiras montanhosas da Ásia Central que se desenrolam até aos Himalaias; o topo norte do chamado Ring of Fire onde se situa a península russa de Kamchatka, assim como a zona costeira norte da Rússia que é banhada pelo Oceano Ártico. No fundo, creio que todos os sítios que ainda mantenham a sua essência natural são dignos de uma visita.

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