Revista Rua

Soraia Chaves: “Vejo com expectativa muito positiva os anos que se seguem!”

A atriz portuguesa é membro do júri do Ymotion - Festival de Cinema Jovem de Famalicão.
Soraia Chaves ©Ricardo Santos
Andreia Filipa Ferreira30 Outubro, 2019
Soraia Chaves: “Vejo com expectativa muito positiva os anos que se seguem!”
A atriz portuguesa é membro do júri do Ymotion - Festival de Cinema Jovem de Famalicão.

É uma atriz bem conhecida do público português, desdobrando-se entre novelas, séries e filmes. Com 37 anos, Soraia Chaves já não é a Amélia, do filme O Crime do Padre Amaro, trabalho que a catapultou para a fama no mundo da representação. Com vários projetos “mais maduros” nas mãos, como a própria refere, a atriz portuguesa é um dos membros do júri da quinta edição do Ymotion – Festival de Cinema Jovem de Famalicão, que apresenta os vencedores já no dia 9 de novembro. Aproveitando este facto, partilhámos a nossa conversa com a atriz que se diz “agradavelmente surpreendida com o potencial deste festival”.

Soraia Chaves ©Ricardo Santos

O Ymotion é um festival dedicado ao cinema jovem. Enquanto atriz, como vê esta iniciativa que tem como objetivo principal incentivar os mais jovens para a produção cinematográfica em Portugal?

Vejo como uma excelente oportunidade para jovens cineastas ou potenciais cineastas. Acho que é uma iniciativa de louvar, um incentivo à criatividade e ao cinema, porque, efetivamente, é muito difícil para um jovem ter uma oportunidade para mostrar o seu trabalho. Este festival já incentivou muitos jovens e considero que isso é muito importante para estimular o crescimento do cinema português. De facto, são poucas as organizações existentes e são poucas as oportunidades que os jovens têm. Confesso que fiquei agradavelmente surpreendida por ver o potencial deste festival, acho fabuloso aquilo que o Ymotion já alcançou, inclusive exibições internacionais aqui em Famalicão. Mas, sobretudo, é muito importante (bonito até) apoiar os jovens que estão a começar, que estão a dar os primeiros passos.

A Soraia é, nesta quinta edição do festival Ymotion, membro do júri. É importante para si estar envolvida?

Eu se quisesse concorrer já não podia, porque já não sou assim tão jovem (risos). Acho que o Ymotion é um incentivo realmente importante, no sentido em que não há muitas plataformas ou organizações que se foquem especificamente no cinema jovem. Nós temos sistemas de apoio ao cinema, mas que estão mais voltados para realizadores ou produtores que já têm experiência, e aqui, é mesmo um incentivo ao primeiro passo. Acho fundamental porque desperta a vontade de, simplesmente, começar ou continuar a fazer. É um estímulo que eu acho que vai ser importante para o futuro do cinema português.

“Este festival já incentivou muitos jovens e considero que isso é muito importante para estimular o crescimento do cinema português.”

Vivemos uma fase em que surgem novos filmes de realizadores portugueses: falo de Solum, de Diogo Morgado; Variações, de João Maia; ou Herdade, de Tiago Guedes. A Soraia tem acompanhado esta tendência? Como vê esta recente aposta na criação de conteúdo português – e em Portugal?

Eu acho que o cinema português tem estado mais forte. Digamos que está mais focado no círculo de festivais internacionais e a esse nível temos tido realizadores portugueses que têm recebido prémios e algum destaque. Fala-se do cinema português como uma onda peculiar com uma linguagem muito própria. No entanto, é verdade que as salas comerciais tendem a estar cada vez mais vazias, mas isso é uma tendência global, não afeta só o cinema português, afeta todos os filmes – o que pode ser um bocado assustador e, portanto, qualquer incentivo que haja, é importante. Os festivais podem ser uma plataforma para fazer com que os filmes cheguem às pessoas. Acho que as pessoas deviam aproveitar! Eu, pessoalmente, adoro aproveitar estes eventos para ver e conhecer mais.

Soraia Chaves ©Ricardo Santos

Hoje em dia vivemos uma fase em que temos cada vez mais produtoras independentes e temos a Netflix. Acha que esse pode ser um passo para criadores independentes?

Eu acho que sim, e espero que haja uma abertura de produtores independentes em investir dinheiro no cinema. Efetivamente, é muito difícil conseguir-se filmar porque não existem muitos apoios privados. É uma dura realidade. Mas talvez com estas novas plataformas, as coisas possam mudar. E, pelo que percebi, os jovens realizadores estão muito positivos e com muita força para filmar, filmar e filmar… Acho que isso já é uma prova que as coisas estão a mudar. Ou estão, simplesmente, estamos a perder o medo de arriscar. Na minha opinião, há uma esperança e estamos num momento de viragem!

 

“Penso que poderei estar no início de um novo caminho, de uma nova etapa. Digamos que agora sinto que terei a oportunidade de representar outros papéis, papéis diferentes dos que me foram atribuídos no início da minha carreira.”

A nossa última pergunta tem a ver com a Soraia enquanto atriz. Considera que está a viver numa boa fase de carreira?

Foi um ano muito interessante para mim, porque fiz dois projetos em televisão: um foi uma telenovela, que passou na SIC, e outro foi uma série de contexto histórico em que fazia de Natália Correia, que se passava na altura anterior ao 25 de Abril, chamada 3 Mulheres, que passou na RTP. Portanto, a nível da televisão, foi um ano muito forte para mim. Sinto que estou numa fase muito interessante para uma atriz – para uma atriz mulher -, que tem a ver com a idade, ou seja, aos 37 anos sinto que me começam a chegar papéis mais maduros. Penso que poderei estar no início de um novo caminho, de uma nova etapa. Digamos que agora sinto que terei a oportunidade de representar outros papéis, papéis diferentes dos que me foram atribuídos no início da minha carreira. Vejo com expectativa muito positiva os anos que se seguem!

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