Revista Rua

2019-08-12T10:09:15+01:00 Cinema, Cultura, Radar

Stranger Things: uma carta de amor aos anos 80

O que há em Stranger Things que nos leva de volta aos anos 80?
©D.R.
Maria Inês Neto24 Julho, 2019
Stranger Things: uma carta de amor aos anos 80
O que há em Stranger Things que nos leva de volta aos anos 80?

Numa altura em que é lançada a terceira temporada da aclamada série de ficção científica (e terror), Stranger Things, emitida pela Netflix, fomos tentar desvendar o segredo para a mesma ser tão arrebatadora no que toca a visualizações em todo o mundo. Não queremos ser spoilers, mas deixamos o convite para regressar connosco a 1985, ao “verão em que tudo mudou”.

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De acordo com as informações divulgadas pela Netflix, as expectativas para o lançamento da recente temporada eram altas, face ao sucesso das duas anteriores, e os resultados foram decisivos: cerca de 40,7 milhões de contas assistiram à série, em streaming, nos primeiros quatro dias que sucederam a estreia (a 4 de julho). Mais ainda, a produtora afirma que a terceira temporada atraiu mais visualizações (cerca de 21%) do que as duas temporadas anteriores, nos primeiros dias após o lançamento.

Olhando para estes resultados, temos uma questão: o que há em Stranger Things que faz com que a série tenha tanto sucesso? Para formular esta resposta poderíamos pegar em várias perspetivas, seja pela incrível história escrita e dirigida pelos irmãos Matt e Ross Duffer ou pela descoberta de um elenco de jovens que dominam a atual vanguarda do cinema – como Millie Bobby Brown, no papel de Eleven – entre tantos outros fatores.

Sem menosprezar o devido mérito, a nosso ver, o sucesso resume-se a uma inusitada carta de amor aos anos 80, marcada por inúmeras referências que nos convidam e transportam numa viagem ao passado. As gerações de agora – que eram adolescentes nas décadas de 1980 – relembram detalhes de uma adolescência já mais esquecida e as memórias de um passado que não volta… a não ser em Stranger Things.

Com fortes inspirações nas décadas de 70 e 80, a série presenteia-nos com menções a obras lançadas há 30 anos, que os expectadores da altura facilmente reconhecem. É o caso de filmes como: Os Goonis; E.T. – O Extraterrestre; Alien, O Oitavo Passageiro; O Iluminado; ou, ainda, uma nova adaptação da obra It – A Coisa, de Stephen King. Há, inclusive, um destaque no cinema do centro comercial com o mítico filme Regresso ao Futuro, de Robert Zeneckis, sendo este filme uma referência temporal que serviu de inspiração para a terceira temporada. Dos videogames aos jogos de tabuleiro, dos telefones de casa às comunicações por via de walkie-talkies ou dos padrões geométricos às meias brancas até ao joelho, esta viagem de regresso ao passado é atraente, enfatizando o gosto pela incomparável cultura americana dos anos 80.

Ao som de uma banda sonora reconhecível, que compila os melhores hits dos anos 70 e 80, ouvimos temas como Baba O’Riley dos The Who – a música oficial do trailer da terceira temporada -, Material Girl, de Madonna, até ao arrebatador momento desta temporada, protagonizado pelos personagens Dustin e Suzie, com o tema Never Ending Story, de Limahl. É uma verdadeira ode aos vinis que marcaram uma geração.

New Coke e o grande falhanço dos anos 80

Ironicamente, a série traz de volta a New Coke, lançada pela Coca-Cola em 1985, no “verão em que tudo mudou” também para a marca. Isto porque a tentativa de recriar a fórmula da popular bebida resultou num enorme fracasso de vendas, obrigando a marca a retirar o produto 79 dias depois. Em entrevista ao The New York Times, os irmãos Duffer partilham que: “Foi uma das primeiras ideias do nosso brainstorm em torno da terceira temporada. Era verão de 1985 e, quando falamos de momentos culturais, a New Coke era realmente uma grande aposta. Teria sido bizarro não incluir”.

Numa perfeita caracterização oitentista, Stranger Things não traz excessos, nem fillers (os chamados episódios apenas para preencher), mas oito episódios necessários. A série é curta, compacta e inesquecível. Se ainda não viu, deixe-se levar numa viagem até ao verão de 1985 e prepara-se para as experiências mais secretas, assustadoras e sobrenaturais que só acontecem na cidade de Hawkings, no estado de Indiana.

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