Revista Rua

2019-06-21T17:43:02+00:00 Opinião

Sustentabilidade & Turismo (Parte 1)

Turismo e Património
Hugo Aluai Sampaio
Hugo Aluai Sampaio
1 Junho, 2019
Sustentabilidade & Turismo (Parte 1)
Imagem ilustrativa

Turismo e Sustentabilidade são palavras na ordem do dia. Contudo, o fenómeno Turismo mostra como o planeamento e gestão são aspetos chave na capitalização do sector como um dos principais trunfos para o fomento económico. Mas poderá o aumento da atividade turística, independentemente de “consumir” este ou aquele “recurso”, aspirar a ser uma prática verdadeiramente sustentável?

A atividade turística atualmente é, em Portugal, uma das principais responsáveis pelo incentivo à recuperação económica. Além disso, é a ela que se deve a criação de inúmeros postos de trabalho, tenham estes uma relação mais ou menos direta com a atividade. Diversos são os negócios que, à sombra da vertiginosa procura do viajante curioso pelos traços de portugalidade, florescem e crescem. De outra forma, tal seria impossível. Isto porque o mercado interno, sob a máxima “vá para fora, cá dentro”, fica muito aquém de uma distribuição equitativa do turismo endógeno. Zonas costeiras, principalmente pela procura do turismo de sol e praia, são a clássica atração. Por esse motivo, as zonas Centro, mais recônditas, menos apetrechadas, menos apelativas, permanecem periféricas ao fenómeno. Mas a internacionalização turística da nossa portugalidade não tem contrariado muito esta situação!

Sob o primado das preocupações económico-financeiras, é claramente tendente a análise do fenómeno à escala da faturação, do lucro, da mais-valia. Se eu fosse empresário, não o olharia como aqui apresento. Contudo, devo ressalvar, o que transcrevo pretende contribuir de forma positiva para o debate.

É curioso verificar, até, como se soltam gargalhadas quando alguém se diz formado em Turismo. Isto é uma clara desvalorização dos recursos especializados que têm dado anos ao estudo de um sector em franco crescimento e que urge tornar sustentável!

Desde logo, a atividade vê-se a braços com a questão da sazonalidade laboral. Deveria, antes sim, escrever precariedade. Porque entre a ausência de contratos ou pagamentos a recibos verdes, entre a falta de direitos e de garantias, entre a incapacidade de poder pensar “na vida” a médio prazo, muitos dos “empregados” servem para engordar as estatísticas do IEFP e, com isso, serem usados como bandeiras dos sucessivos governos nas suas políticas de combate ao desemprego.

Outro aspeto quiçá importante, e que demonstra uma falta de sensibilidade atroz, é o facto de muitos dos negócios que servem (e se servem d)o Turismo estarem nas mãos de proprietários cuja ligação às principais problemáticas do sector é escassa, para não dizer inexistente. Sim, é fácil abrir um negócio com relação à atividade turística. Difícil é perceber que o Turismo tem, também ele, ciência. É curioso verificar que qualquer um se acha no direito de se tornar um especialista na área (sem que tal invalide que se tenha sucesso, até porque em algumas zonas os turistas são tantos, que pagam o que é pedido e consomem o que há). É curioso verificar, até, como se soltam gargalhadas quando alguém se diz formado em Turismo. Isto é uma clara desvalorização dos recursos especializados que têm dado anos ao estudo de um sector em franco crescimento e que urge tornar sustentável! Esse caminho não é feito sozinho, mas tem que ser feito com conhecimento.

Sobre o autor:

Arqueólogo, professor universitário, investigador integrado do Lab2PT e colaborador do CiTUR.

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