Revista Rua

2020-03-31T19:22:37+01:00 Radar

#Tech4Covid: as novas aplicações que pretendem auxiliar os portugueses neste período de isolamento

A comunidade tecnológica portuguesa uniu-se para desenvolver um movimento que pretende, através da tecnologia, fornecer as ferramentas necessárias para travar este surto.
Redação31 Março, 2020
#Tech4Covid: as novas aplicações que pretendem auxiliar os portugueses neste período de isolamento
A comunidade tecnológica portuguesa uniu-se para desenvolver um movimento que pretende, através da tecnologia, fornecer as ferramentas necessárias para travar este surto.

A rápida propagação do surto do novo Coronavírus exigiu um período de quarentena ou de isolamento voluntário, com o intuito de terminar ou diminuir o contágio. Este resguardo determinou um isolamento social, por um período ainda incerto, o que levou a que as pessoas procurassem outras formas de conviver com familiares e amigos, na impossibilidade de manter contacto pessoalmente. Desta forma, verificou-se um aumento acentuado do número de utilizadores em aplicações que já existiam, tendo-se ainda verificado a criação de novas plataformas e projetos que visam, acima de tudo, entreter e informar.

Com o intuito de tentar encontrar uma solução para auxiliar o país e os portugueses no combate à atual pandemia, a comunidade tecnológica portuguesa uniu-se para desenvolver um movimento que pretende, através da tecnologia, fornecer as ferramentas necessárias para travar este surto. É desta forma que nasce o movimento #Tech4Covid que, de uma conversa informal entre fundadores de startups tecnológicas portuguesas, originou numa equipa atual de mais de quatro mil pessoas de 250 empresas diferentes: nomeadamente: AdClick, Farfetch, Sonae Mc, Deloitte e Indigo, entre outras que já se uniram ao movimento.

O objetivo é juntar diversas áreas de atividade num propósito comum: o desenvolvimento de soluções tecnológicas que ajudem a população a ultrapassar o desafio do Covid-19. O movimento, sem fins lucrativos, reúne profissionais das mais variadas áreas, desde profissionais de saúde, cientistas, designers, marketeers e engenheiros, entre outras especialidades, com o intuito de desenvolver inúmeros projetos que possam mitigar as consequências da pandemia, assim como promover o apoio a profissionais de saúde e o acesso a material hospitalar. São já cerca de 40 projetos ativos a decorrerem em simultâneo e os mesmos pretendem dar resposta a diferentes problemáticas.

Com o intuito de contabilizar redes de contágio, através do registo de pessoas infetadas ou potencialmente infetadas, foi desenvolvida uma aplicação, a Covidografia, que pretende reunir informação, em tempo real, sobre os sintomas dos portugueses e avaliar a propagação da pandemia, por referências geográficas. Desta forma, qualquer pessoa se pode registar na plataforma, passando depois a responder a algumas questões sobre o seu estado de saúde, os sintomas e a sua área de residência, sendo depois possível acompanhar os dados de outros utilizadores nessa mesma área geográfica. Esta recolha de dados é depois fornecida às autoridades de saúde para que possam atuar e mitigar as consequências nessa mesma zona.

No site do movimento #Tech4Covid é também possível encontrar uma plataforma de reservas gratuitas de alojamento para profissionais de saúde que estejam a trabalhar arduamente na linha da frente e que possam necessitar de alojamento temporário. Na Rooms Against Covid é possível encontrar quartos disponíveis em diversas cidades, como Porto, Lisboa, Braga, Faro, Coimbra e até no Funchal.

Outras apps que deve conhecer

Uma outra aplicação criada recentemente e que visa promover a entreajuda comunitária é a #QueroAjudar, uma plataforma que pretende unir quem necessita de ajuda e quem tem possibilidades de ajudar. O objetivo é disponibilizar um espaço para que quem necessite de ajuda possa descrever o seu pedido, que será depois transmitido à rede de voluntários, com o intuito de ser analisado para possibilitar estabelecer uma ligação entre essa mesma pessoa e um voluntário da rede. Ao entrar na plataforma é possível escolher entre duas vertentes: “preciso de ajuda” ou “quero ajudar”. Na segunda hipótese são disponibilizados os inúmeros pedidos recebidos e é deixado o convite para que, quem tenha possibilidade de ajudar, possa fazê-lo. A maioria dos pedidos centram-se na necessidade de material hospitalar e de proteção individual, nomeadamente: fardas, luvas, máscaras, toucas, fatos cirúrgicos, óculos de proteção, viseiras, entre muitos outros.

Há também um projeto recente que reúne serviços online de entregas ao domicílio. É o caso do Quietinho Em Casa, um projeto que visa disponibilizar a entrega de bens e serviços em casa, evitando que as pessoas tenham de sair das suas habitações. A plataforma reúne cerca de 44 serviços, como a Uber Eats, Glovo, Farmácia Online, Continente, entre muitos outros. O Quietinho Em Casa integra ainda iniciativas solidárias, como a Vizinho Amigo, a SOS Vizinho e a Quero Ajudar.

Numa vertente mais voltada para o entretenimento e as redes sociais, também é possível verificar o surgimento de novas aplicações que pretendem promover a socialização, mesmo que virtualmente. É o caso da Houseparty, uma aplicação disponível para Android e iOS, que permite realizar videochamadas interativas em grupo, possibilitando que os utilizadores realizem pequenos jogos didáticos, como quizzes ou desenhos. Também semelhante é a QuarantineChat, uma plataforma online criada com o objetivo de proporcionar momentos de alegria a quem esteja a passar por uma situação de isolamento sozinho, quer voluntariamente ou por motivos de doença. Basta aceder ao site e partilhar o contacto telefónico para o qual poderá ser contactado por alguém também inscrito na plataforma. As chamadas são gratuitas e o objetivo é conectar as pessoas, evitando que se sintam isoladas e sozinhas.

Ainda que estes fenómenos não sejam assim tão recentes, aplicações como a Netflix e a TikTok, assim como a Zoom Cloud Meetings, revelaram um aumento acentuado de downloads e novos utilizadores nas últimas semanas.

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