Revista Rua

2019-04-11T12:35:17+00:00 Negócios

Terrárea, uma combinação improvável de universos singulares

Sofia Nico e Márcio Pereira
Maria Inês Neto
Maria Inês Neto1 Abril, 2019
Terrárea, uma combinação improvável de universos singulares

O Terrárea é um autêntico urban garden, onde se pode descobrir uma incrível diversidade de plantas, escolher um pequeno arranjo floral, comprar decoração para a casa ou até almoçar. Esta enorme estufa urbana de interior, situada em Matosinhos, preserva e cultiva diariamente uma responsabilidade social e ecológica.

A ideia de criar o Terrárea surgiu enquanto Sofia Nico e o namorado, Márcio Pereira, estudantes de Belas Artes, respetivamente em multimédia e em escultura, estavam a fazer um voluntariado em Itália. Inspirados pelo ambiente em que viviam, optaram por mudar alguns hábitos pessoais, com o intuito de melhorar o cuidado com a alimentação e com o meio ambiente. Uma perceção que os levou à procura de implantar esse conceito em Portugal, onde conseguiram abrir as portas do Terrárea há cerca de um ano e meio, depois de três anos a estruturar uma ideia consciente e dinâmica. Situado num antigo armazém em Matosinhos, encontraram o espaço ideal para criar um verdadeiro universo natural de plantas e flores, valorizando, ainda, uma gastronomia saudável e um espaço de lazer. “Esta parte mais espacial, ou arquitetónica, é mesmo do Márcio. Foi ele que projetou este espaço e acho que tem uma noção espacial que é muito própria. Eu consigo falar mais do conceito, do que eu quero transmitir aos clientes, e ele projeta isso na prática”, partilha Sofia.

Com uma imagem muito própria, tudo é pensado segundo uma fusão mútua dos desejos e intenções dos dois. “Este espaço caracteriza-se do geral para o particular, ou seja, desde a arquitetura até ao detalhe e pormenor de tudo. Focamo-nos tanto no ambiente como no pequeno produto. E essa leitura da nossa filosofia e identidade que imprimimos no espaço, imprimimos também nos nossos produtos”, esclarece Márcio.

A escolha das plantas garante uma diversidade natural e única, assim como as flores, que inspiradas no Romantismo propõem um regresso às origens, respeitando a estética dos tempos modernos. A cozinha vegetariana apresenta um menu variado de opções cheias de cor, sabor e aroma, com base no conceito de proporcionar uma alimentação equilibrada e variada, através de duas vertentes: à carta, com ofertas fixas, e os variados menus de almoço, nos quais os dois pratos do dia surpreendem sempre quem por lá passa. Há, ainda, espaço para as peças artesanais, que procuram ser a ponte de simbiose perfeita entre o habitante e o habitat em que vive, provando que os elementos do espaço se refletem na saúde e no estado de espírito. “Já somos um quatro em um e queremos ainda ser um cinco em um”, partilha Mário sorridente, continuando: “Temos a nossa loja física que se divide em três espaços e, para além disso, fazemos decoração de eventos”.

O Terrárea tenciona reinventar o conceito de florista de rua e criar uma fusão entre universos singulares e, à primeira vista, improváveis. Quando questionados numa ótica de conhecer como classificam o Terrárea, a resposta é simples: “Comparamo-nos muito mais a um garden center, a uma estufa de interior ou um horto urbano, do que propriamente uma florista de rua”, garante Sofia, continuando: “Nós procuramos ser algo mais moderno. Tentar reinventar esse conceito, com base na nossa imagem, em algo mais simples, mais campestre e naturalista. São flores e serão sempre um símbolo muito bonito”.

Em 2019, o Terrárea abre as suas portas, também, a diversos projetos num âmbito cultural. Esperam-se workshops, concertos, atividades e até exposições. A intenção passa por questionar, não só enquanto um negócio de venda de plantas ou de serviços de restauração no seu formato tradicional, mas a sua relação com a vida e a natureza. Uma filosofia que caracteriza o Terrárea como um estilo de vida descontraído, saudável e consciente, a nível ecológico, alimentar e cívico. “É uma experiência global, na qual o foco principal é o bem-estar, tanto do indivíduo próprio como do meio ambiente”, termina Sofia.

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