Revista Rua

2019-10-25T10:51:43+01:00 Opinião

That´s life

Sociedade
João Rebelo Martins
25 Outubro, 2019
That´s life
©D.R. / Associated Press

Há uma lei da física que diz que para cada força há um par acção-reacção: “Se um corpo exerce uma força sobre outro, este reage e exerce sobre o primeiro uma força de intensidade e direção iguais, mas em sentido oposto”, é o enunciado da Terceira Lei de Newton.

That´s life, como De Niro termina o seu programa no Joker, ao som de Sinatra.

Respondemos enquanto indivíduos e enquanto sociedade aos impulsos, às leis, aos postulados, à política, à religião, aos programas de TV, à música, à comida, ao trânsito, a tudo quanto afecta o nosso dia-a-dia. Se nos anima, respondemos com alegria; caso contrário, com agressividade, escrita, falada, impressa, na rua, nas paredes, na música.

Payback: olho por olho, dente por dente. O retorno, Newton a ser aplicado: não só na física, mas a todos os segundos da nossa vida.

Joaquin Phoenix, Arthur Fleck em Joker, de Todd Phillips, interpreta o papel de uma pessoa que tem o sonho de ser comediante. Uma pessoa humilde, genuína, que vive – ou sobrevive – para cuidar de si e da sua família, inserida num gueto social de uma grande cidade e que tem a ousadia de sonhar.

Numa sociedade onde alguém diz o que é certo e errado, alguém diz o que pode ser dito ou não, o que se pode vestir, comer, ouvir, quem pensa em sentido contrário é marginalizado. O cooperativismo também faz parte da sobrevivência humana, da tribo.

Aí entra a Lei de Newton.

Com o passar do tempo, com o sentimento de rejeição, gozado pelos seus pares, marginalizado, ao descobrir a realidade cristalizada na infância da qual, felizmente, não tinha memória, revolta-se.

Ao ver Joker não pude deixar de ver os milhares de pessoas nas ruas de Barcelona, de Hong Kong, de Caracas, de Londres, de Paris. Pessoas revoltadas com a vida, com quem prometeu e não cumpriu. Pessoas como nós: pais, mães, com empregos mais ou menos estáveis, universitários, gente das fábricas; de todos os extratos sociais; velhos e crianças.

Quem está actualmente na Praça Catalunha não está lá por acaso, por não ter mais do que fazer. Fá-lo porque lhe goraram as expectativas de uma vida melhor, de um sonho que tem séculos e que defende uma Catalunha independente de Castela e Leão. Eu até nem sou independentista, mas junto-me aos manifestantes porque não posso admitir que hajam presos políticos numa Europa dita democrática.

Freud defendia uma teoria em que os homens têm no seu cérebro um lado racional e um lado animal; e que o animal prevalece. O médico e psicanalista estudou a infância e as necessidades primárias do ser humano.

Liberdade é uma necessidade básica do ser humano.

Nota: Este artigo não foi escrito segundo o novo acordo ortográfico.

Sobre o autor:
Consultor de marketing e comunicação, piloto de automóveis, aventureiro, rendido à vida. Pode encontrar-me no mundo, ou no rebelomartinsaventura.blogspot.com ou ainda em instagram.com/rebelomartins. Seja bem-vindo!

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