Revista Rua

2019-07-25T22:09:19+00:00 Cultura, Música

Tiago Nacarato, música com sotaque

O cantor portuense atua no palco principal do Meo Marés Vivas no próximo domingo, dia 21 de julho.
Fotografia ©Nuno Sampaio
Andreia Filipa Ferreira
Andreia Filipa Ferreira17 Julho, 2019
Tiago Nacarato, música com sotaque
O cantor portuense atua no palco principal do Meo Marés Vivas no próximo domingo, dia 21 de julho.

Saltou para a ribalta num programa de televisão, interpretando um tema com sotaque brasileiro. Hoje, já enche plateias e protagoniza duetos com nomes conceituados da música portuguesa e carioca. Tiago Nacarato é, aos nossos olhos, a jovem promessa da música em Portugal. Neste domingo, dia 21 de julho, sobe ao palco MEO do festival MEO Marés Vivas.

É natural do Porto, vindo da rotina dos bares como canta a canção. Com o balanço carioca no corpo e a suavidade na voz que envolve sotaques, ora portuense, ora brasileiro, Tiago Nacarato é um talento emergente da música em Portugal. Numa entrevista realizada no coração da cidade invicta, Tiago Nacarato apresenta-se como um talismã da nova geração de artistas nacionais.

Fotografia ©Nuno Sampaio

O nome Tiago Nacarato surge para a ribalta numa Prova Cega do concurso televisivo The Voice, em 2017. Aproveitando o tema que apresentaste no concurso, Onde Anda Você” de Vinicius de Moraes e Toquinho, pergunto: onde andavas tu até àquele momento?

Antes do programa de televisão, já era músico profissional. Já tocava há cinco anos nos bares do Porto, já participava também numa orquestra de baixos e guitarras elétricas e, posteriormente, numa orquestra de Samba, na qual ainda faço parte – a Orquestra Bamba Social. Então, antes do programa, eu era músico na mesma.

Consideras que o concurso te abriu portas para uma carreira na música? É importante a passagem por um concurso deste calibre?

Com certeza que o programa televisivo catapultou a minha carreira, no sentido até de acelerar o processo. Eu acredito que pudesse chegar onde estou agora, mas ia demorar mais tempo. Os media, quer queira, quer não, têm uma importância muito grande na forma como espalham a mensagem. Muita gente vê televisão, principalmente ao domingo à noite, no horário nobre. Se uma mensagem é espalhada assim num nível de massa, a probabilidade de ela ser partilhada é ainda maior. Então, o programa teve realmente uma importância muito grande.

“Eu gosto muito de música que é feita de verdade, que se note que não é com fim comercial. E o que eu prometo é isso: uma música verdadeira, muito cuidadosa, muito bem escolhida”

As raízes brasileiras são obviamente visíveis na tua música. Podes falar-nos da tua ligação às sonoridades brasileiras? O que mais te atrai na música brasileira?

Tudo começa pelos meus pais, que são brasileiros. Desde sempre que ouço música brasileira em casa – o meu pai é músico também, ou seja, a parte do violão ou a forma de estar em palco vem muito da influência que eu tiro do meu pai. Esse é o primeiro ponto. Depois, à medida que fui estudando música, fui percebendo que a música brasileira é muito rica em termos de melodia e harmonia. A poesia que está contida nas canções também é de alto nível, um nível que não se consegue encontrar em mais lado nenhum. Sinto-me bem a tocar as músicas.

Tiveste vários concertos no Brasil, sobretudo no Rio de Janeiro e em São Paulo. Sentes que tens sido acarinhado pelo povo brasileiro?

Eu acho que o grande boom na minha carreira, aquilo que falamos no início, foi mais lá. A Internet e, principalmente, o Facebook ajudou muito. Eu sinto todos os dias muito carinho e eles sentem-se bem representados, eu acho. É um país que está numa desorganização muito grande em termos políticos e, sentirem que um estrangeiro, longe do país, representa uma música que está quase esquecida, que é uma música de nicho, deve trazer – não sei bem – um orgulho muito grande.

Podemos falar da carreira que começas agora a construir. Que tipo de artista pretendes ser e que musicalidade prometes trazer ao panorama português?

É uma eterna procura – a procura pela personalidade musical. A única coisa que posso garantir que vou trazer são as minhas influências, ou seja, aquilo que eu ouço. Muita música brasileira, mas não só. O desafio do artista é conseguir reproduzir, é ser o veículo de tudo o que ele acha de belo no mundo… ou não, mas ser um veículo. Por isso, o que eu posso trazer é só a minha personalidade.

Fotografia ©Nuno Sampaio

O teu álbum de estreia, que tem sido muito aguardado especialmente graças ao sucesso do singleA Dança”, espelha esse artista que queres ser? Como nos apresentas o teu primeiro trabalho?

Sinceramente, ainda estou um bocado à procura. Tenho já várias canções que sei que vão entrar no disco, tenho até uma parceria com o Salvador Sobral, que vai ser o meu próximo single. Vou trazer música que já tenho há muito tempo e música mais recente, sempre com a guitarra e com a voz presentes, ou seja, que tragam as minhas influências todas. Também gosto muito de jazz e quero ter algumas músicas com solos e arranjos mais ousados. E músicas simples com guitarra e duas vozes, por exemplo. Então, vai ser um pouco como o título do disco do Janeiro, Fragmentos. Posso pegar nos meus fragmentos, até porque as minhas influências são diversas, e o disco será o resultado, o mix de tudo.

Tens marcado presença em vários palcos, partilhando até público com Miguel Araújo. Achas que, de algum modo, a tua música segue o registo de Miguel Araújo, isto é, letras com alguns detalhes humorísticos, referências à comunidade portuguesa, voz doce a cantar em língua portuguesa – apesar de possíveis sotaques?

Acho que o meu primeiro single tem alguma coisa de Miguel Araújo, sim. Eu até procurei fazer isso, porque estava a conviver mais com ele, a música foi gravada no estúdio dele e a canção foi feita meio que a piscar o olho a Miguel Araújo. Mas o resto acho que não vai ser nada, vou fugir (risos).

Fotografia ©Nuno Sampaio

Gostávamos de te pedir uma mensagem para os nossos leitores que, por ventura, ainda não te conhecem. Porque é que os portugueses devem conhecer a tua música?

É uma pergunta complicada (risos). Eu acho que os portugueses devem ouvir a minha música principalmente porque ela é feita com muito amor, com muito cuidado e minuciosidade, a pensar neles e não só. É uma música verdadeira que vai de dentro para fora. Sobretudo é isso. Acho que tudo o resto é indiscritível. Eu gosto muito de música que é feita de verdade, que se note que não é com fim comercial. E o que eu prometo é isso: uma música verdadeira, muito cuidadosa, muito bem escolhida. É com muito orgulho que o faço. Vou chamar pessoas para vir gravar comigo, músicos espetaculares… e é isso! (risos).

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