Revista Rua

2019-07-15T10:49:05+01:00 Opinião

Tiago: o mundo novamente a teus pés

Desporto Motorizado
João Rebelo Martins
9 Julho, 2019
Tiago: o mundo novamente a teus pés
Tiago Monteiro ©D.R.

O auditório ao ar livre é o local de consagração dos vencedores e vencidos que se aventuram a grande velocidade pelas ruas de Vila Real. Um espaço em U que, quando se enche, ganha dimensão; quando se canta A Portuguesa, ganha emoção.

Mateus e a sua longa reta e duas curvas que, mesmo não parecendo, são feitas a fundo – o imaginário, a emoção, o sonho, o público empurram para baixo pé direito tremente, fazendo rugir o motor do bólide -, há Abambres, o Boque, Araucadia e mil e um lugares que o público vai criando dentro da Bila, para, desde 1931, aplaudirem os pilotos.

Em casa fala-se de Stirling Moss, David Pipper, John Miles, Carlos Gaspar, Jorge Bagration, Robert Giannone.

Eu lembro-me de Pedro Salvador, José Maria Lopez, Rafael Lobato e Robert Huff darem show na era moderna.

Percorrer o circuito de Vila Real, seja num carro de corrida, a pé no dia de prova ou ao longo de todo o ano das mais diversas formas, é viver o heritage de uma terra ligada à tradição do desporto automóvel, de verdadeira afición, de pessoas que amam corajosos que enfrentam o perigo envoltos em fortuna e glória.

No meio da multidão bebe-se o bom vinho do Douro, comem-se febras e bifanas, acompanhadas de moelas e caldo verde. São três dias de festa e ouve-se falar de corridas como o desporto rei. E é Rei por aqui.

Como Rei foi Tiago Monteiro, pela segunda vez, nas ruas de Vila Real.

Mais de um ano em recuperação de um acidente que lhe roubou um título mundial, um carro que nem sempre colabora, e um coração e um sorriso que são capazes de cativar e inspirar qualquer um.

Quem viu a primeira corrida, viu o azar continuar a perseguir o piloto, juntamente com a travagem mal calculada do amigo Tarquini, quando já tinha recuperado cinco posições e rodava no top 10.

Mas no qualifying de domingo, a tática foi quase perfeita: o nono lugar para a segunda corrida do programa transforma-se em segundo para a terceira e corrida final, aquela que toda a gente quer ganhar.

Monteiro arrancou de segundo e à terceira volta liderava. Depois… depois só o piloto pode dizer o que pensou e sentiu ao longo das voltas restantes.

O público vibrava e empurrou o piloto para o triunfo!

No final, pela câmera montada no interior do carro, ouviu-se o silêncio dentro do capacete e a explosão de alegria que se seguiu: é muita emoção, é querer, é trabalho diário, é acreditar no sucesso quando tudo parece desabar.

Os abraços a Noah e a Ademar que sempre estiveram lá, com a Diana e a Mel.

O auditório ao ar livre encheu-se novamente para cantar A Portuguesa. O auditório pleno de emoção voltou a mostrar ao mundo Tiago Monteiro; voltou a cumprir Portugal.

Sobre o autor:
Consultor de marketing e comunicação, piloto de automóveis, aventureiro, rendido à vida. Pode encontrar-me no mundo, ou no rebelomartinsaventura.blogspot.com ou ainda em instagram.com/rebelomartins. Seja bem-vindo!

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