Revista Rua

2018-08-20T12:31:26+00:00 Viagens

Um bilhete de ida para descobrir o mundo

Carina Pinheiro e Ivo Filipe são os rostos do OneWayTickeTrip.
Andreia Filipa Ferreira
Andreia Filipa Ferreira3 Agosto, 2018
Um bilhete de ida para descobrir o mundo
Carina Pinheiro e Ivo Filipe são os rostos do OneWayTickeTrip.

Carina Pinheiro e Ivo Filipe são dois portugueses, naturais de Celorico de Basto e Cabeceiras de Basto, respetivamente, que partiram à descoberta do mundo. Com apenas um bilhete de ida, já descobriram a Tailândia, Filipinas, Indonésia, Camboja, Malásia, Singapura, Maldivas e Emirados Árabes Unidos, mostrando o seu dia a dia em destinos quase paradisíacos através da sua conta de Instagram OneWayTickeTrip. Num momento em que estão de passagem por Portugal, apresentando o nosso país aos seus seguidores, a RUA apresenta o casal que deixa os amantes de viagens a suspirar.

Em primeiro lugar, gostaríamos muito de conhecer a razão de terem partido à aventura. Como tudo começou?

Somos de pequenas vilas próximas, mas durante 20 anos não soubemos da existência um do outro. Vimo-nos pela primeira vez no dia 13-03-2014 e a partir daí começamos a falar e encontrarmo-nos frequentemente. Nesta altura, o Ivo estava com depressão e a Carina apareceu como uma salva-vidas. A nossa história de amor começou no dia 05-09-2014. Desde então todos os nossos dias eram passados a fazer algo diferente. Como ainda éramos estudantes tínhamos bastante tempo livre. Marcamos a nossa primeira viagem juntos no dia 17-02-2015 e desde essa viagem tudo mudou! Já nessa altura gostávamos de partilhar as nossas experiências nos nossos Instagram’s pessoais. Então decidimos criar a nossa primeira conta de Instagram em conjunto, o ‘Go Visuals’, que acabamos por não dar continuidade. Nessa viagem sentimo-nos tão bem e tão livres que começamos a viajar com mais frequência. Marcamos então as seguintes viagens para Lisboa e Londres. Infelizmente, após terminarmos os nossos cursos e começarmos a trabalhar, o tempo disponível para estarmos juntos e viajarmos era muito reduzido. Desde então a ideia de largarmos tudo e ir viajar começou a crescer. Iniciámos assim a nossa poupança, que durou cerca de um ano, até conseguirmos juntar a quantia monetária que nos permitisse efetuar uma grande viagem pelo Sudeste Asiático. Longe de sabermos que essa viagem nos iria colocar na posição em que estamos hoje em dia. Partimos sem grande planeamento, apenas com um bilhete de ida para Bangkok e a primeira noite reservada num hostel. Assim nasceu o OneWayTickeTrip.

Antes de partirem, acreditamos que tenham existido alguns receios. Querem falar-nos sobre isso?

De facto, não foi uma decisão fácil. Ambos estávamos a trabalhar, com empregos seguros e a iniciar uma carreira. Deixar a nossa casa, emprego, família e amigos, tudo para ir atrás do desconhecido, pode ser um pouco assustador. E embora não estivéssemos certos do que iríamos encontrar, certos estávamos que seguíamos os nossos corações. Mas apesar de parecer uma decisão totalmente arriscada, as consequências nunca poderiam ser piores do que a concretização de um sonho.

Como se planeia uma viagem assim? Quais foram as vossas principais preocupações?

Na verdade, não planeámos a nossa viagem. Como já mencionámos, tínhamos apenas uma viagem de ida e a primeira noite reservada num hostel. A ideia geral que tínhamos em mente era percorrer os países próximos da Tailândia, como Laos, Myanmar, Malásia e Camboja, e caso ainda tivéssemos dinheiro ir às Filipinas. Mas logo de início mudámos de ideias. A vontade de conhecer as Filipinas era tanta que foi o nosso segundo destino. Sem dúvida, a melhor decisão que tomámos, a nossa experiência neste país foi incrível, tornando-o no nosso país favorito. Mal podemos esperar para voltar! Percebemos que o melhor plano, era não ter planos! Desde aí, a nossa viagem passou a ser conduzida apenas e só pelo nosso coração e intuição. Comprando apenas os bilhetes de ida para todos os países, nunca comprando os de saída, permitindo-nos ficar o tempo que achamos necessário e que nos sentimos bem.

Há quanto tempo estão em viagem e quais os países que já visitaram?

Dia 5 de agosto faz dez meses que partimos nesta aventura. Nestes meses, visitámos a Tailândia por duas vezes, as Filipinas, a Indonésia por três vezes (durante três meses fizemos de Bali a nossa “casa”), Camboja, Malásia, Singapura, Maldivas e os Emirados Árabes Unidos.

Tendo em conta os locais que já descobriram, conseguem nomear os mais belos sítios que já conheceram?

Esta é uma pergunta difícil. Conhecemos bastantes locais que nos deixaram boquiabertos. Desde a Kelingking Beach (conhecida também como praia do dinossauro), em Nusa Penida, Indonésia; El Nido, em Palawan, nas Filipinas; as ilhas Phi Phi, na Tailândia; a mesquita Sheikh Zayed, em Abu Dhabi; o espetáculo Spectra, em Singapura e, claro, as ilhas paradisíacas nas Maldivas. Para além destes locais magníficos, as Filipinas ficaram para sempre no nosso coração, não apenas pela sua beleza natural, mas principalmente pelas suas pessoas, tão felizes, genuínas, carinhosas e verdadeiramente amigas.

É impossível não ficarmos invejosos quando consultamos o vosso Instagram e vemos as fotografias deslumbrantes que postam. Há um cuidado muito grande com essa partilha com os vossos seguidores, correto? Tentam sempre mostrar os detalhes da vossa viagem?

Temos imenso cuidado com as fotos que postamos no nosso feed, querendo sempre mostrar o lado mais bonito da nossa vida. Por outro lado, nas stories diárias que partilhamos com os Trippers (é assim que gostamos de carinhosamente chamar a quem nos acompanha), mostramos todos os pormenores, dicas ou até coisas menos boas que se vão passando no nosso dia a dia. 

Acreditamos que já tenham passado por algumas peripécias. Querem falar-nos sobre algumas?

É normal que durante uma viagem de longa duração surjam alguns episódios menos bons que mais tarde até se tornam engraçados de contar. Podemos contar-vos os maiores sustos até agora, que, por coincidência, aconteceram por volta da mesma altura na mesma ilha. Durante a nossa tour de barco em El Nido, onde conhecemos um dos locais mais fascinantes e de beleza natural incrível, fomos apanhados por uma tempestade no mar, com ondas enormes que pareciam capazes de virar o nosso pequeno barco fabricado em bambu. Felizmente, o capitão era experiente e foi capaz de nos trazer até à costa em segurança. O outro episódio foi em Puerto Princesa, também nesta ilha das Filipinas, onde deixamos a nossa mochila com todo o nosso material fotográfico (máquinas fotográficas, lentes, drone, e tudo o que usamos para criar o nosso conteúdo) durante mais de 8h num restaurante onde almoçamos. Só quando regressamos ao hotel já de noite é que percebemos que ela não estava lá e nos lembramos onde teria ficado. Contrariamente à fama que as Filipinas têm, de serem um país tão perigoso, todo o nosso material estava intacto e guardado pela querida dona do restaurante.

As pessoas com quem se cruzam no percurso é uma das principais vantagens desta viagem? Como tem sido conhecer pessoas com culturas tão diferentes da portuguesa?

Essa é, sem dúvida, uma das melhores partes da viagem, ter a oportunidade de conhecer e estar em contato direto com culturas tão diferentes da nossa. O que mais nos impressiona é a simplicidade e a forma prática com que enfrentam os episódios da vida. Apesar de, em muitos casos, não terem as melhores condições para enfrentarem os seus problemas, encaram-nos sempre de sorriso no rosto, contagiando também quem por lá passa.

Podemos falar um pouco sobre alojamento? Onde têm vivido neste tempo? Como tem sido a experiência em termos de alojamento?

O tipo de alojamento por onde ficamos foi melhorando ao longo da viagem. Como já referimos, no início da viagem ficamos alojados em hostels ou em quartos privados que se encaixassem no nosso budget diário. Com o passar do tempo, percebemos que era importante termos o nosso espaço num quarto privado e as condições mínimas, visto que passamos muito tempo no quarto a trabalhar no nosso projeto. Para além disso, tivemos a oportunidade de ficar em hotéis de grande qualidade em trabalho.

O que está nos vossos planos futuros? Que locais querem conhecer?

Temos tantos planos! Queremos conhecer tantos sítios que nem sabemos por onde começar. Agora que já exploramos um pouco da Ásia, estamos com grande vontade de partir para outros continentes. México, Brasil, América Latina em geral estão no topo da nossa lista neste momento. Queremos também aproveitar a nossa visita a Portugal para explorar um pouco mais do nosso país, dando-o a conhecer à nossa comunidade, bem como alguns destinos europeus que temos em mente.

São portugueses, minhotos, à descoberta do mundo. Que mensagem deixariam àqueles que sempre pensaram em fazer uma viagem destas, mas nunca tiveram a coragem de avançar?

Aquilo em que mais acreditamos é que os sonhos se podem tornar realidade. Basta acreditarmos, transformá-los em objetivos e lutar por eles. Por isso, sigam os vossos sonhos. Por muito árduo que possa parecer, o passo mais difícil é ir. Depois tudo acaba por se tornar mais simples e para todo o problema se encontra uma solução. Um conselho importante é não fazerem grandes planos e aproveitarem a viagem de uma forma livre. Procurem conhecer mais do que os locais turísticos e envolvam-se com a comunidade local. E viajem, viajem muito!

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