Revista Rua

2019-02-21T11:24:14+00:00 Opinião

Um brinde com Maduro tinto

Humor
João Lobo Monteiro
João Lobo Monteiro
21 Fevereiro, 2019
Um brinde com Maduro tinto

Eu tenho um fascínio pela América do Sul. Ah, olá, não vos tinha visto! Está tudo bem? Pronto, é o que se quer. Eu cá vou andando. Estava eu a dizer que tenho um fascínio pela América do Sul. Sempre tive, desde que consegui distinguir o que é a América do Norte e o que é a América do Sul, visualizando as eliminatórias de apuramento para os Mundiais de futebol. Essa parte da cultura geográfica também me dá algum jeito quando jogo Trivial Pursuit, que é, no fundo, para o que a gente deve viver.

Assim sendo, é com um misto de tristeza e de admiração, do tipo “só estes gajos, para fazerem uma coisa destas”, que olho para os recentes acontecimentos ocorridos em alguns daqueles países, como por exemplo a eleição de Jair Bolsonaro e a contratação de Carlos Queiroz por parte da seleção da Colômbia. Andou o Pablo Escobar a fazer tudo tão direitinho para, anos depois, irem contratar o Queiroz. Enfim… Mas o que me traz aqui desta vez é a crise na Venezuela.

Desde logo, um país cujo presidente diz que o antecessor, já falecido, lhe apareceu em forma de passarinho para dizer que estava feliz com o seu trabalho, é de respeitar, pelo menos nos meus dúbios conceitos de respeito. Aliado ao facto de que a seleção da Venezuela é conhecida como ‘vinotinto’ e que o presidente em questão se chama Maduro, tudo isto faz suspeitar de uma noite anterior bem regada. E faz também justificar o título desta crónica, que eu já devia ter explicado no primeiro parágrafo, mas só expliquei agora porque sou como sou. Isto é para falar de uma revolução atabalhoada, então nada tem de fazer sentido. Avante, camaradas!

“Se é certo que Portugal é capaz de ter um dos Presidentes da República mais positivamente chanfrados de sempre, a Venezuela já teve dois (ou ainda tem um, depende dos pontos de vista) que vestiam fato de treino com as cores da bandeira. Sendo que as cores da bandeira são azul, vermelho e amarelo, portanto além de ser fato de treino, é de cores que até eu, que sou um bocado daltónico, vejo que não combinam.”

Se é certo que Portugal é capaz de ter um dos Presidentes da República mais positivamente chanfrados de sempre, a Venezuela já teve dois (ou ainda tem um, depende dos pontos de vista) que vestiam fato de treino com as cores da bandeira. Sendo que as cores da bandeira são azul, vermelho e amarelo, portanto além de ser fato de treino, é de cores que até eu, que sou um bocado daltónico, vejo que não combinam. Como não respeitar uma nação assim? Não dá.

Além de que, com a recessão, os fatos de treino até passaram a ser moda de alta-costura na Venezuela. Um fato de treino passou a estar ao preço de um fato da Emporio Armani, o que significa que, por aqueles lados, o pessoal vai vestido de gala ao centro comercial, todos os domingos.

Eu sou de Humanidades, pelo que este golpe de Estado/revolução/o que seja interessa-me sob vários aspetos. Quer dizer, são só dois, que é o aspeto da História a acontecer em tempo real e o aspeto de que a gente tem de se entender sobre se se pronuncia o ‘U’ no nome do Guaidó ou se é para dizer “Gaidó”. Já me chega andar há anos a ouvir supostos especialistas a chamar erroneamente “SancheZ” ao Renato Sanches.

Finalizando, naturalmente que me preocupa a situação na Venezuela, sobretudo porque para lá foram muitos portugueses emigrados, há uns anos, e de lá estão a vir as suas famílias, agora. Porém, o que mais me preocupa acho que é a circunstância de que, no caso de o Maduro ser mesmo destituído, o país vai perder a proteção divina que tem, vinda de Diego Armando Maradona, fervoroso apoiante do Chavismo e, paradoxalmente, apoiante não de produtos da cor do petróleo, mas da tonalidade oposta. Nesse caso, é melhor fechar o país e abrir um novo.

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