Revista Rua

2020-07-20T11:27:40+00:00 Opinião

Um pouco de noção, 2020!

Humor
João Lobo Monteiro
João Lobo Monteiro
20 Julho, 2020
Um pouco de noção, 2020!

No início deste ano, eu aventurei-me a antever, num destes belos textos, algumas das coisas que se iriam passar durante 2020. A hipótese de eu falhar redondamente era elevadíssima – só contava acertar no nosso bicampeonato europeu e na perda das eleições por parte do Trump -, porque era suposto aquilo ser um texto sem sentido, que não fosse o sentido do humor. Acontece que, realmente, tenho falhado redondamente nas previsões, mas porque 2020, o próprio, ultrapassou a minha falta de noção. Talvez porque o andamos a chamar de “vinte-vinte”, em vez de dizermos o nome completo, e ele arreliou-se.

Com o regresso de Jorge Jesus ao Benfica e de Cristina Ferreira à posição de dona disto tudo, só que em Queluz de Baixo, acho que se atingiu um novo limite e é hora de eu tentar ser pior do que o ‘non sense’ de 2020, prevendo uma coisa por mês. Recordando que a culpa disto tudo é de quem achava que pedir desejos na passagem de ano ia dar muito certo. Agora aguentem!

As segundas-feiras vão passar a ser dias espetaculares: Boa parte das pessoas vai de férias em agosto. Noutros anos, custava muito ter de voltar ao trabalho e às rotinas, mas não em 2020. Com tantas exigências sanitárias para cumprir nas praias, nos parques, nas piscinas, vamos fartar-nos de estar de férias. Nos fins-de-semana, não vamos querer ficar em casa, porque já estivemos fechados muitos meses, nem vamos querer passear, porque o bicho vai andar atrás de nós por muito tempo. Então, vamos rezar para a segunda-feira chegar rapidamente, até porque vamos estar tão anestesiados, que nem vamos notar que dia é, como no começo do confinamento.

Maddie volta do interrail: O mês de setembro vai trazer duas grandes revelações. A primeira, logo no início, é a de que eu já faço 29 anos, apesar de ter esta cara de menino, ainda mais quando fico sem barba (o que só acontece de 5 em 5 anos, para bem da minha figura). A segunda, não menos importante, é a de que Maddie McCann, afinal, andou este tempo todo num interrail, porque estava farta de não perceber o sotaque ‘scouser’ dos pais. Foi aprender línguas pelo mundo e, finalmente, pode cumprir o seu sonho de ser a voz do Google Tradutor.

Indignados vão dizer as coisas na cara: Caminhando para o fim do ano, para o outono e para uma nova vaga de Covid e de confinamento, os indignados das redes sociais vão ter ainda mais tempo livre para se indignarem com factos insignificantes. Porém, vão deitar a mão à consciência e aos dois neurónios que têm, e vão passar a dizer as coisas na cara dos seus alvos de indignação. Com erros ortográficos na mesma. Dificuldade: como não vai haver contacto social, na verdade, não vão poder dizer as coisas propriamente na cara. Assim, vão acumular a indignação dentro deles e a indignação, essa sim, vai ‘dizer’ coisas na cara, já que vai crescer mais acne na face dos indignados das redes sociais.

Vamos saber o que é feito do Cabeção: Novembro vai trazer eleições nos EUA, o Trump vai perder – essa previsão, pelo menos, vou acertar – Bolsonaro vai entrar em depressão pelo amigo e vai passar a cheirar hidroxicloroquina, até quinar. Mas o facto mais importante vindo do Brasil vai ser a redescoberta de Cabeção, personagem mítica da não menos mítica New Wave. Não vos sei ainda dizer o que aconteceu com ele nestes anos de desaparecimento. Também não me podem pedir tudo, já vos disse o que aconteceu com a Maddie. Isto, do Cabeção, vamos ter de descobrir juntos.

Vamos ficar a penar mais um bocado em 2020: Txi, dezembro, finalmente acaba este ano terrível. Calma, não se precipitem! Como em quase tudo, Portugal vai ficar na cauda da Europa e só vamos passar para 2021 lá para fevereiro. Vamos deixar tudo para a última e, sabem como é, mete-se o Natal e o processo de passagem de ano, ainda mais com os constrangimentos das medidas sanitárias, vai demorar mais um bocadinho. Vai faltar um papel, depois um selo, e tal. Vamos ter de ser fortes, aguentar mais um pouco. E quando finalmente for a passagem de ano… é, há pessoal que vai voltar a comer uvas e vai pedir desejos, em cima de uma cadeira. Mas hey: vai correr tudo bem!

Sobre o autor:
Tenho dois apelidos como os pivôs de telejornal, mas sou o comunicador menos comunicativo que há. Bom moço, sobretudo.

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