Revista Rua

2018-11-08T14:21:36+00:00 Cultura, Fotografia

Uma linha de cor

Philippe Simões (@lippesim) está na RUA
Nuno Sampaio2 Julho, 2018
Uma linha de cor
Philippe Simões (@lippesim) está na RUA

Há um mundo cheio lá fora, apressado, sustenido. Um mundo que urge momentos de contemplação, calma na sua total plenitude. O minimalismo das tuas fotografias é uma forma de transmitir essa energia necessária?

O minimalismo, para mim, é a forma de mostrar o que eu gostava de ser. É a simplificação máxima do que vejo ao meu redor. É o descomplicar. É o subtrair de tudo o que me é negativo, neste caso, visualmente, para a foto.

É por isso que disse em primeiro lugar “o que gostava de ser”. Gostaria de ter a capacidade de descomplicar mais, de simplificar, de remover tudo o que me é negativo a nível pessoal.

Daí projetar isso tudo na forma como fotografo.

Não gosto de barulho, ruído, de tudo acontecer tão depressa e ao mesmo tempo. Quando isso acontece em meu redor eu paro e retenho apenas o que eu quero. É por isso que as minhas fotos têm “tão pouco”.

A forma como fotografo tenta retratar ao máximo como me sinto, mesmo sendo apenas uma representação muito subjetiva, composta apenas pelas linhas que construo.

A geometria e a luz são elementos fundamentais na composição das tuas imagens?

Sem dúvida! Adoro brincar com sombras, ver as formas que delas resultam, aquilo que podem esconder ou até mostrar.

Tento encontrar harmonia nas linhas e composições que construo, confesso que sou um pouco “obsessivo” até no que a isso diz respeito.

Quando e como é que o elemento humano tem lugar nas tuas fotografias?

Quando a foto é muito especial para mim. Não banalizo o retrato. Não é o que eu faço, nem o que sei fazer. Quando opto pelo retrato ou pela minha versão daquilo que um retrato pode ser, ou é alguém que me é muito querido, ou eu me sentia muito bem naquele momento.

Para mim, um retrato não tem de ser uma cara “chapada”. Por vezes, apenas mostro uma parte do corpo (meu ou não), dando a sugerir o estado de espírito dessa pessoa ou o meu. É preciso haver uma energia muito específica e especial para tal retrato acontecer.

Uma cidade para fotografar.

Nunca pensei em nenhuma cidade em específico para fotografar. Sei que tenho preferência pelos países nórdicos, pelo estilo arquitetónico que neles encontro, pelo design, pelas linhas e cores. Como na Dinamarca, por exemplo. Copenhaga está, definitivamente, na minha wish list de cidades a visitar e fotografar.

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