Revista Rua

2020-02-05T18:57:21+00:00 Bússola, Viagens

Uma tour por Copenhaga, a capital da felicidade

Voamos até Copenhaga, a maior cidade dinamarquesa.
Maria Inês Neto
Maria Inês Neto22 Janeiro, 2020
Uma tour por Copenhaga, a capital da felicidade
Voamos até Copenhaga, a maior cidade dinamarquesa.

Dizem que os dinamarqueses são das pessoas mais felizes do mundo e a explicação pode partir da essência e sinergia da capital. Voámos até Copenhaga, a maior cidade dinamarquesa, com uma população urbana de mais de 1 milhão de habitantes e uma população metropolitana que ultrapassa 1 milhão e 900 mil habitantes. Com um dos níveis de vida mais elevados do mundo, Copenhaga não espelha ostentação ou luxo excessivo, mas antes uma sensação de desfrutar a vida como ninguém, preservando o bem-estar mútuo. Essa felicidade que ostentam é tão particular que serviu de ponto de partida para inventar uma palavra– a qual não tem tradução literal para nenhuma outra língua – que pudesse classificar este sentimento, denominando por Hygge, que pretende simbolizar “a felicidade nas mais pequenas coisas da vida”. Um café quente ao calor da lareira, uma conversa com um grupo de amigos, um abraço de alguém que é família. E essa sensação tranquila pode ser sentida em vários contextos da cidade.

Situada no leste da Ilha Zelândia e com uma parte da cidade a ocupar a Ilha de Amager, Copenhaga é uma cidade relativamente plana, não fossem os habitantes – e turistas – aderirem fortemente à nova moda das trotinetes elétricas, assim como o hábito dos cidadãos se deslocarem diariamente de bicicleta para qualquer lado. Enquanto principal centro de comércio da Dinamarca, a capital controla a maior parte das exportações e importações do país, através do seu porto marítimo, comercializando produtos derivados do leite, da lã e do gado.

No contexto da Europa do Norte, Copenhaga é um dos maiores centros de arte e literatura, destacando como pontos de interesse a majestosa Universidade de Copenhaga e uma biblioteca com mais de 600 mil livros, entre os inúmeros pontos de interesse que se revelam num destino imperdível para 2020.

Pontos turísticos a não perder

Começamos esta tour pelo porto de Nyhavn, onde todos os prédios voltados para o rio expressam cores vivas e uma arquitetura característica que se preserva em cada habitação, restaurante ou bar local, numa vista imprescindível. No topo do canal, junto à praça de Kongens Nytorv, um dos locais mais visitados da capital, é visível o Memorial Anchor, uma enorme âncora que representa uma homenagem em memória dos marinheiros dinamarqueses mortos durante a II Guerra Mundial. A norte do canal está o bairro Frederiksstaden, onde se encontra a sede do Palácio Amalienborg, sendo que o bairro se estende até à famosa estátua da Pequena Sereia – que representa a eterna personagem do conto infantil de Hans Christian Andersen, que eternizou a imagem de beleza e bondade das sereias. Assim como no conto, no qual uma sereia emergiu da água para conhecer os humanos, a estátua remete para a ideia de estar a olhar para os navios que chegam e partem do porto de Copenhaga diariamente. Do lado sul do canal é possível avistar o Palácio de Charlottenborg, sendo apenas um dos vários palácios da capital. Destaque também para o grandioso Palácio de Christiansborg, onde está situada a sede do Parlamento Dinamarquês, assim como o escritório do Primeiro Ministro e da Suprema Corte, sendo a única construção no mundo que abriga os três poderes em simultâneo.

Quanto cai neve na cidade e as temperaturas atingem valores negativos, são vários os espaços acolhedores que convidam a entrar. A La Glace é a confeitaria mais antiga da Dinamarca, onde ninguém escapa aos famosos valnoddekage – uma torta de nozes caramelizadas, chantilly e café glaceado – assim como o sportskage, um doce de torrone, creme de leite e profiteroles.

Uma das maiores atrações da capital dinamarquesa são os Jardins do Tivoli, também chamados de Tivoli Gardens. Dentro deste gigante recinto fechado encontra-se um dos parques de diversões mais antigos do mundo – sendo mesmo o segundo mais antigo que se encontra ainda em funcionamento. Com mais de 170 anos, o parque continua a ser um dos mais visitados mundialmente. Localizado no centro da cidade, o parque está em funcionamento apenas durante os meses de abril a setembro, sendo que, fora este período, abre exclusivamente em alturas especiais, como no halloween e no Natal. Os carrosséis são dos mais altos e atrativos do mundo, para além da zona de restauração diferenciada que apresenta opções provenientes de diferentes culturas.

Uma das principais atrações turísticas é a Christiania, também conhecida como “a cidade livre de Copenhaga”. Tal como o nome sugere, trata-se de uma zona delimitada, onde se alojou uma comunidade independente e autónoma com cerca de 800/900 habitantes, cobrindo uma área total de 34 hectares. À entrada as regras são muito explícitas, começando pela mais popular: dentro da Christiania é totalmente proibido fotografar. A comunidade é visitada por mais de 500 mil turistas anualmente, olhares curiosos que procuram explorar de perto esta cultura peculiar, entrar nas pequenas mercearias e cafés locais, espreitar as habitações cobertas exteriormente por cores exóticas e viver um ambiente tranquilo e livre de estereótipos, preconceitos ou legislações. É uma daquelas experiências que devemos realizar, pelo menos uma vez na vida.

Como não podia faltar numa capital, a Strøget é a zona central da cidade, marcando uma área preenchida por bares, pubs, restaurantes e lojas, que se revela na zona mais movimentada da cidade, tanto de dia como de noite. A gastronomia em Copenhaga é uma das mais apreciadas no país, não fosse a existência do Noma, o restaurante dinamarquês que, por quatro vezes, liderou a lista dos 50 melhores restaurantes no mundo, concretamente em 2010, 2011, 2012 e 2014.

Ao visitar Copenhaga pode aproveitar para apanhar um comboio até à cidade de Malmö, na Suécia, numa viagem que demora cerca de 40 minutos, para tornar a sua viagem ainda mais enriquecedora.

Qual é a melhor altura do ano para visitar Copenhaga?

Dado que os meses de inverno são consideravelmente frios, húmidos e com nevoeiros frequentes, os meses de primavera e verão são os mais aconselhados para visitar Copenhaga. Desta forma, os meses de verão caracterizam-se por um clima moderado e chuvoso, principalmente em julho e agosto, sendo a altura do ano em que as temperaturas são mais altas (entre os 19º e os 21º). Ainda assim, é aconselhável levar roupa impermeável, um guarda-chuva ou algumas peças mais quentes. Já os meses de janeiro e fevereiro apresentam as temperaturas mais baixas do ano, podendo atingir os -2º ou ainda mais.

Dez curiosidades sobre o país e a cultura dinamarquesa

Segundo a ONU, Dinamarca é o segundo país mais feliz do mundo. O índice de desemprego é muito baixo, paralelamente a um salário mínimo consideravelmente alto.

Na Dinamarca, o número de bicicletas são o dobro do número de carros que circulam diariamente nas cidades.

As peças da Lego começaram a ser produzidas em 1958, numa empresa fundada pelo dinamarquês Ole Kirk “Lego” é a abreviação das palavras leg godt que significa “brincar bem”.

O castelo de Kronborg é o mais visitado do país e serviu de inspiração a William Shakespeare para escrever Hamlet, uma das suas peças mais conhecidas.

Na Dinamarca existem mais de 400 ilhas, mas apenas cerca de 70 são habitadas.

No país, a cada dois dias, ou chove ou neva.

Hyggie é uma expressão usada apenas na Dinamarca e não tem uma tradução na íntegra, apesar de representar um momento de paz, tranquilidade e em família, assim como uma sensação de bem-estar e de felicidade.

Na alimentação, privilegiam-se os produtos de origem orgânica e nacional.

No verão, o sol nasce por volta das 3h da manhã e só se põe por volta das 23h.

A Dinamarca é considerada um dos melhores países do mundo para se viver, oferecendo uma qualidade de vida superior, assim como boas condições de trabalho, acesso a serviços de saúde e redes de transporte, que são consideradas das mais eficazes.

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