Revista Rua

2026-04-06T10:08:39+01:00 Cultura, Fotografia, Radar

Vivian Maier, a fotógrafa “urbana” em exposição no Porto

Nascida em 1926, Vivian Maier nunca sonhou em exposições, em ser conhecida. Mas algo batia mais forte, sempre que fotografava.
Vivian Maier ©D.R.
Cláudia Paiva Silva6 Abril, 2026

Vivian Maier, a fotógrafa “urbana” em exposição no Porto

Nascida em 1926, Vivian Maier nunca sonhou em exposições, em ser conhecida. Mas algo batia mais forte, sempre que fotografava.

Explica Anne Morin, curadora da exposição que inaugurou a 27 de março no Centro Português de Fotografia,  Vivian Maier – Antologia, que a fotógrafa nunca sonhou em exposição pública. Mas ao longo de 45 anos, durante os tempos em que exercia a profissão de ama, a fotografia era a sua segunda família. Era “casa”.

Autorretratos, retratos, street photo, fotografia urbana, infância, pessoas, “gentes”, eram as suas inspirações. E são esses os temas que se podem ver ao longo de 140 imagens, organizadas em sete secções, divididas entre adultos e crianças, cor e, preto e branco.

A exposição, no Porto, revela-se com potencial para continuar o sucesso garantido noutras cidades e países – talvez pela autora não ser conhecida, mas de certeza, pelas suas fotos serem sempre tão realistas e atuais – o mundo pode mudar, mas as expressões humanas, em retratos mais ou menos trabalhados ou preparados, entre Chicago e Nova Iorque, são sempre eternos.

Ao mesmo tempo, conseguimos perceber a vida desta mulher – solteira, trabalhadora, não era de famílias conhecidas ou bem posicionadas. Não tinha forma de viver da sua grande paixão, não tinha nenhum marido rico, mas isso não a impediu de realizar os seus objetivos através ou atrás de uma câmara.

Com um espólio que ascende aos 150 mil negativos, desde fotos a filmes, Vivian Maier ainda está a ser descoberta aos dias de hoje por entusiastas e outros artistas e colegas fotógrafos. Décadas antes da fotografia de rua se tornar tendência, já uma mulher fazia esse trabalho, procurando pessoas, arquiteturas, cidades, paisagens.

Uma mulher que garante, ainda hoje, que podemos fazer tudo. Mesmo que não seja o nosso trabalho, mesmo que não “ganhemos” nada. Será que não? O nosso valor não será medido pelo dinheiro, mas sim pelo legado.

O legado de Vivian, são as fotografias e o exemplo.

A exposição Vivian Maier – Antologia estará patente no Centro Português de Fotografia até 30 de agosto. Com promoção da Terra Esplêndida, parte das receitas será entregue à associação Acreditar.

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