Revista Rua

2020-09-18T13:00:35+00:00 Negócios

Wonderstudio: um olhar disruptivo na arquitetura e design de interiores

Margarida Martins é a fundadora e CEO do Wonderstudio, um atelier de arquitetura e design de interiores, sediado em Lisboa.
Margarida Martins, fundadora e CEO do Wonderstudio
Andreia Filipa Ferreira
Andreia Filipa Ferreira3 Agosto, 2020
Wonderstudio: um olhar disruptivo na arquitetura e design de interiores
Margarida Martins é a fundadora e CEO do Wonderstudio, um atelier de arquitetura e design de interiores, sediado em Lisboa.

Há cerca de cinco anos, Margarida Martins iniciava um novo ciclo na sua vida: lançar-se no desafiante mundo da arquitetura através da criação de um atelier próprio, o Wonderstudio, numa tentativa de acrescentar valor ao mercado. “Pretendo aproximar a arquitetura das pessoas”, conta-nos Margarida, destacando que o Wonderstudio é focado no bem-estar e no progresso. Num momento em que o atelier mudou a sua imagem, falamos com a sua fundadora e CEO, Margarida Martins, numa entrevista sobre propósitos e anseios futuros.

Em primeiro lugar, gostaríamos de conhecer melhor a Margarida e de perceber como é que o seu percurso a levou à criação da Wonderstudio. Pode falar-nos um pouco de si?

O meu é Margarida Martins, tenho 32 anos e sou licenciada e mestre em Arquitetura pela Universidade Lusíada de Lisboa. Tenho um interesse especial em História de Arte, design, cultura, negócio e tecnologia. Quando tenho algum tempo livre, pratico surf. No entanto, treinar em ginásio tem sido mais comum.

Fundei o Wonderstudio há cerca de cinco anos, após terminar um estágio num atelier de arquitetura. Na altura, percebi que queria ter o meu próprio atelier, independentemente das dificuldades que surgissem. Estava disposta a avançar com o desafio porque acreditei no valor que poderia acrescentar ao mercado. Tentaram demover-me da ideia várias vezes, mas confesso que quando realmente quero e acredito em algo, vou à luta. Em termos de objetivos, pretendo aproximar a arquitetura das pessoas.

 

“Princípios como a preservação da cultura, património e valores estão no nosso ADN. Acreditamos na capacidade da arquitetura e do design para reimaginar e promover o bem-estar das comunidades”. É a partir desta frase presente no vosso site que gostaríamos de conhecer o Wonderstudio. É na arquitetura e no design (e a sua respetiva integração nos espaços) que vive o Wonderstudio? Como descreveria o Wonderstudio?

O Wonderstudio é um atelier de arquitetura focado no bem-estar e no progresso.  Acreditamos que a arquitetura é uma disciplina que combina várias áreas.
Um olhar mais atento sobre esta disciplina, que por vezes parece esquecida ou inacessível, permite-nos interpretar o espaço nas mais diversas formas, “jogar” com a luz e ter a possibilidade de fazer emergir sensações. Mas tudo isto tem de resolver e responder aos desafios colocados por clientes particulares ou empresas. O foco do Wonderstudio são as pessoas, os seus desafios e ambições, seja a nível particular ou profissional.

Com uma equipa maioritariamente feminina, o Wonderstudio chegou ao mercado com um olhar disruptivo, inovador, com soluções modernas e arrojadas. É esse o propósito central do atelier?

No que toca à arquitetura, o mercado sempre foi caracterizado por uma forte presença masculina. E é por isso mesmo que faz falta mais diversidade, novos pontos de vista, novas abordagens e, sobretudo, “sangue novo”.

O propósito do Wonderstudio é simples: reimaginar soluções holísticas para viver, trabalhar e celebrar a vida. Como já referimos, o nosso foco são as pessoas e o seu bem-estar. Se nos focarmos nestes, acreditamos que iremos ter impacto no resto. Todos os clientes têm objetivos, ambições e desafios diferentes. A nós compete-nos saber interpretar, apresentar soluções e resultados. A forma como abordamos cada caso segue um processo específico. No entanto, queremos reforçar que, durante todo o processo, existe uma proximidade muito forte com todos os clientes, até porque sentimos que estamos a co-criar com eles.

Projetos de reabilitação, remodelação, arquitetura e design de interiores representam o trabalho do atelier, correto? Pode explicar-nos o vosso conceito e de que forma é que podem assumir-se como uma alternativa aos grandes players do mercado da arquitetura e design de interiores?

O que representa o nosso trabalho são projetos de arquitetura e design de interiores. Neste sentido, temos vindo a desenvolver uma forte capacidade de influenciar a forma como as pessoas vivem e tiram partido do seu dia a dia, no espaço que detêm. Até porque muitos dos nossos clientes quando reúnem connosco pela primeira vez, dizem-nos frequentemente que a forma como o seu apartamento ou moradia estão configurados, não lhe faz sentido dada a sua dinâmica familiar.

Quanto aos grandes players, todos eles ocupam o seu espaço no mercado e não há dúvida que todos eles tiveram e continuam a ter o seu papel que, desde já aproveito para reforçar, tem sido notório para a projeção da arquitetura a nível nacional e internacional. E com todo o respeito que nutro pelos colegas, tal como eles, nós também acreditamos num mercado livre. Os prémios são importantes, mas não são tudo. E como tal, vão ter de continuar a reinventar-se. O mesmo se aplica a nós.

O mercado da reabilitação urbana tem tido um crescimento acentuado nos últimos anos. A Margarida considera que os projetos de reabilitação são a arquitetura do futuro?

A reabilitação terá sempre o seu lugar. No entanto, acreditamos que o futuro não se foque apenas nesta área. Vivemos numa era onde a tecnologia abre portas a mais possibilidades. E logo aqui, existe potencial para experiências e inovação. O futuro poderá passar pela informação e dados disponíveis. E saber trabalhar dados pode abrir portas interessantes. Neste sentido, a arquitetura terá de encontrar e explorar nestas possibilidades novas áreas e disciplinas que a complementem e que façam sentido para o mercado e segmentos onde atua.

Assumimos que, nos projetos da Wonderstudio, a componente humana e ambiental está muito presente. Pode falar-nos um pouco sobre as mais-valias de um projeto desenvolvido pelo Wonderstudio? Quais são as principais preocupações, por assim dizer?

No que toca à componente humana acreditamos que soluções one size fits all não respondem a todas as necessidades. Daí a nossa preocupação em conhecer o cliente a nível mais pessoal e, no caso de uma empresa, entender o que realmente influencia o seu negócio.

Por outro lado, no que toca à componente ambiental, temos vindo a sensibilizar cada vez mais os nossos clientes para adotarem materiais mais amigos do ambiente. No Wonderstudio temos colaboradores que têm um contacto com a natureza bastante vinculado e que têm interesse em conhecer mais empresas e colaboradores que valorizem este aspeto. Por outro lado, materiais que beneficiem o cliente (a nível de custo) e que ao mesmo tempo beneficiem o planeta nem sempre coincidem.

Progresso é também saber questionar e colocar em causa pressupostos e comportamentos. No fundo, a questão é: queremos deixar um mundo melhor do que aquele que encontrámos? Nós queremos acreditar que sim. De qualquer forma, a nível de materiais, acreditamos que opções mais competitivas não irão faltar num futuro próximo.

Em termos de portefólio, que projetos desenvolvidos pelo Wonderstudio temos mesmo de conhecer? Há algum (ou alguns) que tenham sido mais desafiantes?

Ficam desde já convidados para visitar o nosso portefólio aqui. Cada projeto foi especial e desafiante à sua maneira. Mas podemos destacar o One Legacy, Natura Residence e The Rock Shelter. Todos eles com conceitos criativos bastante peculiares e com exigências técnicas bastante profundas.

Nesta fase, assistimos à mudança de imagem do atelier. Pode falar-nos deste propósito atual? É uma mudança que traz uma visão diferente para o futuro do atelier?

Os caminhos são feitos por ciclos. O mundo muda e nós temos duas opções: ou mudamos com ele ou arriscamos ficar obsoletos. O que nos caracteriza enquanto seres humanos é a forte capacidade de adaptação. Na nossa opinião, as empresas, para além dos desafios diários que enfrentam, têm de ter a capacidade de reconhecer factos, comportamentos e tendências. Naturalmente, tudo isto requer mais agilidade e flexibilidade. Agora, se perguntarem se é fácil, garantidamente que não é. Mas se olharmos para outros sectores vemos transformações. Porque é que na arquitetura deveria ser diferente?

A primeira fase da mudança de imagem veio no sentido da recolha de vários inputs identificados ao longo do nosso caminho. Tudo isto foi amadurecendo, tal como o trabalho que temos vindo a desenvolver. Como tal, optámos por refletir esta decisão e comunicar a mudança ao mercado através de uma imagem mais simples, madura, próxima e responsiva.

Em termos de posicionamento, podemos assumir que há uma pretensão cada vez mais internacional?

Em termos de posicionamento, podemos dizer que há comboios que não queremos deixar passar. Uma presença mais internacional, por um lado, faz sentido porque estamos num mundo global. Por outro, o nosso país tem tido uma projeção internacional bastante acentuada. Aqui temos vários fatores que estão a nosso favor, tais como a segurança, bom clima, um sistema político estável, entre outros fatores que acabam por colocar o nosso país como uma opção competitiva para os investidores. Acreditamos que o talento nacional tem cartas para mostrar valor e podemos adiantar que há ideias em cima da mesa a aguardar o momento mais favorável para serem acionadas.

Existe uma questão que vocês identificam como responsável pela mudança de imagem que nós queremos tomá-la como nossa para terminar esta entrevista: Será que é possível fazer melhor? Quais são os anseios futuros do Wonderstudio?

Acreditamos que sim, é possível. Fazer melhor será sempre um desafio presente. Mas só vemos que fazemos melhor olhando para trás e comparando com o que fazemos no presente. Quanto ao futuro, ficar ansioso nunca resolveu problemas. Não podemos sofrer por antecipação com algo que não controlamos. O futuro é e será sempre incerto. A nossa política continuará a ser a preparação e aprendizagem. Naturalmente, a nossa atitude disruptiva permanecerá a mesma: os desafios são oportunidades mascaradas e vêm para ser conquistados.

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