Revista Rua

2019-06-08T13:01:55+00:00 Cultura, Outras Artes, Radar

WOOL: os pioneiros da arte urbana em Portugal

2015 - Pantónio (PT)
Cláudia Paiva Silva
Cláudia Paiva Silva8 Junho, 2019
WOOL: os pioneiros da arte urbana em Portugal

Encontra-se a decorrer, até dia 10 junho, o Festival WOOL – Arte Urbana, na Covilhã (@wool_urbanartfestival). Este evento, cuja primeira edição data de 2011, pode afirmar-se como o pioneiro e o desbravador do maravilhoso mundo novo da street art, que tem vindo a popular vários muros, fachadas e recantos em várias localidades de Portugal, aproveitando a onda que já vinha de fora das nossas fronteiras.

2014 - Tamara Alves (PT)

A arte urbana tornou-se assim uma forma de apreciar o que outrora era apresentado como atos ilegais, de vandalismo, e até certa forma, por uma questão meramente preconceituosa da sociedade, algo proveniente do mundo underground ou dos estratos sociais mais desfavorecidos. Contudo, também, são cada vez mais os artistas que têm sido reconhecidos nacional e internacionalmente, e que removeram o “pre” ao “conceito” de uma forma de desenho, pintura e grafitti que vai muitas vezes mais além do que o esperado.

Este ano, os convidados Sebas Velasco de Espanha e Douglas Pereira (Bicicleta sem Freio) do Brasil juntam-se a Kruella D’Enfer, cujos trabalhos são notoriamente conhecidos e populares, e também a Mário Belém, estando todos responsáveis pela continuidade da elaboração dos painéis que estão a dar mais vida e cor à cidade da Serra. Um dos aspetos fundamentais será o respeito pelo contexto arquitetónico e patrimonial das localidades, a par do contexto único natural, permitindo igualmente uma interação direta com a população que estará a observar à medida que as criações são elaboradas e finalizadas.

Mário Belém (PT)

Além dos Murais, cuja exposição e acompanhamento guiados serão sempre uma das mais valias principais, faz parte igualmente do programa oficial a exposição Intemporal – olhares sobre o WOOL que apresenta as diversas visões dos moradores, jornalistas, visitantes e apenas curiosos, às obras previamente realizadas, sendo que o valor da venda de cada uma das fotografias patentes irá reverter para a recuperação do ecossistema da Serra da Estrela e na sua reflorestação depois dos incêndios dos últimos anos.

Os participantes do festival poderão também contar com a oficina criativa Covilhã Recortada, em duas sessões que se distinguem pelo público alvo, a primeira dedicada para alunos do secundário (Escola Secundária Campos Melo) e a segunda, para o público em geral, na criação de colagens com base nos recortes de fotografia. Para os que gostam de documentários, poderão ver Save our Souls (Indonésia), no qual se enquadra o tema Arte e Ativismo.

No dia 9 de junho, véspera do encerramento do festival e do feriado, será igualmente dia de música, com Tó Trips & João Doce, no centro histórico da cidade da Covilhã.

De referir que esta 6ª edição do WOOL apresenta já 40 intervenções urbanas de vários artistas com diferentes origens e backgrounds. A Covilhã afirma-se assim como a pioneira de street art, trazendo à vista estas obras que são para (re)conhecer em plena montanha da Estrela.

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