Revista Rua

2020-09-14T14:51:10+00:00 Cultura, Outras Artes, Pintura

XXI Bienal de Cerveira com os olhos postos num futuro cada vez mais tecnológico

A XXI de Cerveira conta com uma programação cultural intensa até o dia 31 de dezembro.
©Nuno Sampaio
Redação
Redação14 Setembro, 2020
XXI Bienal de Cerveira com os olhos postos num futuro cada vez mais tecnológico
A XXI de Cerveira conta com uma programação cultural intensa até o dia 31 de dezembro.

Por Vera Salazar

A arte está em constante mudança e imortaliza qualquer tempo. Este foi o principal lema que a exposição mais reconhecida a nível nacional – e já muito valorizada internacionalmente – adotou neste ano de 2020. Sob o tema Diversidade – Investigação. O complexo Espaço da Comunidade pela Arte, a XXI Bienal Internacional de Arte de Cerveira conta com uma programação cultural intensa até o dia 31 de dezembro.

Numa altura em que o evento celebra os seus 42 anos, aproveitamos o momento para explorar de perto as novidades que contemplam a programação deste ano. Respeitando o modelo inicial que tem vindo a distinguir a Bienal no panorama cultural, esta edição contempla um concurso internacional, projetos curatoriais, diversos artistas convidados, intervenções artísticas, conferências e debates, assim como visitas guiadas. O objetivo é claro: apresentar ao público as mais recentes realizações artísticas e tendências estéticas. Na procura por reforçar a internacionalização do evento, a Fundação Bienal de Arte de Cerveira destaca, pela primeira vez, uma edição digital, permitindo ao público uma visita virtual à bienal de arte mais antiga do país e da Península Ibérica – a partir de qualquer lado do mundo.

O Minho estava ensolarado quando partimos rumo a Cerveira, como se o tempo quase se sentisse obrigado a ser uma das melhores luzes para as obras de arte. À entrada da exposição, depois da devida desinfeção necessária, parece que já somos transportados para outra dimensão, onde passamos a ser apenas um reflexo de cada obra de arte. É quase uma metamorfose involuntária e quase irreversível que nos junta a cada ideia, material e construção que vemos. Nestas pequenas ilusões, os temas deste ano transmitem-nos uma diversidade de interpretações, um dos principais propósitos da exibição. “O que se pretende é essa discussão entre as obras, entre os propósitos que cada artista tem relativamente à sua obra”, conta-nos o professor Cabral Pinto, continuando: “Por outro lado, é também apresentar uma forma de comunicar a obra, ou seja, como é que o artista comunica a obra e a ideia que o artista pudesse explicar o que era a obra em si, o que ele pensa, o que ele fez para que o espectador percebesse a obra”.

A receita do sucesso parece bem simples ao olhar de Cabral Pinto. O modelo já adotado em 1978 é o traço mais marcante, traço esse que, em todo o mundo, nada se iguala. No entanto, não houve medos para ultrapassar qualquer inconveniência dos tempos, pelo contrário, foi aproveitada para criar o que ainda não existia. A adoção das novas tecnologias foi essencial para esta adaptação, com a criação da capacidade de visitar virtualmente cada espaço da exposição.

E os artistas? Como é que se adaptaram?

Quando abordado, o professor esboçou um sorriso como se a resposta fosse acessível. A verdade é que, segundo ele, “o artista é um homem que está em confinamento constante” e que a própria sociedade pode agora viver o dia a dia de um artista. Essa é a “vantagem” desta epidemia mundial: a capacidade de os artistas terem mais tempo para trabalhar.

A adoção de um leque de artistas de todos os recantos do mundo é, sem dúvida, algo bastante importante para ter uma visão mais transcendente quanto à diversidade da arte. Com esta visão, os projetos detêm uma nova capacidade de serem criados, como por exemplo: a exposição da biblioteca com a junção de 15 frases de poetas/escritores para artes plásticas, sendo um projeto “novo, único e possível às pessoas para ouvirem a música”. O professor Cabral Pinto deixa-nos com uma visão mais confiante dos tempos em que vivemos, uma vez que a arte pode ser um meio de escapatória e libertação de sentimentos. Mais importante que isso, pode ser “um conjunto entre modalidades que, com certeza, sem o confinamento não era possível”, como termina o professor.

Nesta 21ª. edição da Bienal de Cerveira, a fundação irá promover atividades conducentes à aproximação do público, incentivando a sua participação ativa no evento e promovendo a inclusão de públicos oriundos de várias partes do mundo, privilegiando a integração da Região Norte na cultura universal, com os olhos postos num futuro cada vez mais tecnológico. Com uma programação completa até dia 31 de dezembro, a agenda cultural pode ser conhecida no site do evento.

Partilhar Artigo: