Revista Rua

2021-07-26T16:51:59+01:00 Atelier, Moda, Negócios

ZOURI, a marca portuguesa na vanguarda mundial da sustentabilidade

Adriana Mano, fundadora da ZOURI, está em entrevista na RUA.
©D.R.
Redação26 Julho, 2021
ZOURI, a marca portuguesa na vanguarda mundial da sustentabilidade
Adriana Mano, fundadora da ZOURI, está em entrevista na RUA.

Sustentabilidade, ecologia, economia circular e reaproveitamento são conceitos que formulam o vocabulário da ZOURI, uma marca portuguesa que chegou ao mercado em 2019 com uma missão clara: provar que é possível produzir calçado de alta qualidade sem prejudicar o meio ambiente. Desde então, a marca tem traçado um percurso de sucesso, tornando-se numa referência nacional e internacional, assim como um exemplo a seguir face à atualidade da indústria têxtil que se apresenta como uma das mais poluentes.

Quem nos dá a conhecer os compromissos da ZOURI é a própria fundadora, Adriana Mano, a tempo de nos apresentar a mais recente colaboração com a marca americana O’Neill. Através da linha ZOURI x O’Neill Blue AW20: Our mission the Ocean serão recolhidas cerca de 50 toneladas de plástico de praias portuguesas durante os próximos dois anos.

Gostaríamos de começar por conhecer a base da relação entre a ZOURI e a O’Neill. Quem teve a ideia de lançar esta linha sustentável e o porquê da escolha desta marca americana? Qual é o propósito da colaboração?

Esta colaboração surgiu há sensivelmente um ano, quando a O’Neill nos contactou. Durante um ano, planeámos a melhor forma de desenvolver uma linha de calçado que fosse de acordo com os valores da ZOURI, não desvirtuando a nossa política de proteção dos oceanos. Ter uma empresa mundialmente conhecida como a O’Neill a interessar-se por nós é sinal de esforço e valorização da nossa marca além-fronteiras. A ZOURI está preparada para ser uma das marcas de maior vanguarda da atualidade no mercado do calçado, em Portugal e no mundo.

Pode apresentar-nos a coleção? Quantos modelos a compõem e de que forma se destaca?
O design desta coleção segue uma linha mais voltada para o streetwear, sendo orientada para um segmento mais novo, ou seja, aos mais jovens. A nova linha de calçado, pensada e desenvolvida pelas duas marcas, terá 12 modelos únicos, os quais contêm lixo do mar apanhado nas praias portuguesas. O resultado é inovador e promete transformar o mercado do calçado a nível planetário. Esta colaboração vai estar nas lojas já este verão em dez mercados europeus, em agosto.

Há uma missão a cumprir nos próximos dois anos: retirar dos oceanos 50 toneladas de plástico a partir de praias portuguesas. De que forma vai acontecer?

Com muito afinco e trabalho. (risos) Da mesma forma que temos feito até então: com incríveis voluntários, municípios, ONGs e outras associações, como a Docapescas e a Bandeira Azul. O nosso foco têm sido as praias do Norte, não porque queremos, mas porque em termos logísticos tem sido o possível. Temos imensos contactos de todo o país (e do estrangeiro) e com alguns melhoramentos esperamos cobrir todo o país.

A Adriana tem promovido uma revolução em prol da economia circular, tendo até já recebido vários prémios. Enquanto empreendedora numa indústria particularmente poluente, porque é que estes temas são tão importantes? De que forma tem conseguido promover um impacto positivo?

São importantes pois existe uma necessidade de transformarmos os modos de produção, os materiais, e mesmo o próprio consumo por parte das pessoas. Para além das 4,5 toneladas de plástico que já conseguimos retirar das praias portuguesas, fomos a dezenas de escolas do país fazer ações de sensibilização para o perigo dos plásticos para os ecossistemas marítimos. Até 2022 planeamos alargar estas ações até 150 escolas.

Esta é uma das várias missões da ZOURI, a par de outros projetos que têm tornado a marca uma referência a nível nacional e internacional. Pode apresentar-nos os compromissos da ZOURI, enquanto marca de calçado sustentável?

Produção 100% nacional, matérias-primas sustentáveis com certificações de comércio justo e com produção o mais próxima possível. Calçado sustentável de elevada durabilidade e com um conforto extremo. Além disso, procuramos retirar a maior quantidade de plástico possível das praias, transformá-lo e reutilizá-lo.

Que materiais são privilegiados na produção da ZOURI?

As solas são produzidas em borracha natural e plástico recolhido das praias portuguesas, as palmilhas são feitas a partir de materiais reciclados e as gáspeas, a parte superior do sapato, com materiais naturais e biodegradáveis, como o algodão orgânico, o linho, o cânhamo ou biomateriais como o pinatex, um tecido à base de folhas de abacaxi, ou pele de maçã. Todos os materiais são vegan e certificados. Todo o calçado ZOURI é fabricado em Portugal.

Este é mais um passo em prol da sustentabilidade ambiental. Apesar de já serem conhecidos alguns projetos semelhantes, acredita que estamos num bom caminho ou há ainda muitas mudanças necessárias? Neste sentido, falamos de que mudanças em concreto?

Numa altura decisiva para o futuro do nosso planeta, a Organização das Nações Unidas (ONU) decidiu que esta será a “Década dos Oceanos” (2021 a 2030), durante a qual a geração e divulgação do conhecimento relacionado com os oceanos será o foco principal da educação das novas gerações para que possamos voltar a recuperar o ecossistema destruído. Por esta razão, esta tem sido a bandeira da ZOURI assim que chegou ao mercado em janeiro de 2019. Tal como reforcei anteriormente, há que mudar processos de produção, optar por materiais orgânicos com certificação internacional, existir uma maior transparência no tipo de produto que colocamos acessível às pessoas e revolucionar a forma como consumimos. Só assim conseguiremos estagnar e, quem sabe, retroceder os impactos negativos que esta e outras indústrias têm produzido.

De que forma a marca continuará a promover uma produção sustentável? Que planos ou ações gostaria de desenvolver futuramente?

Esse é o nosso ADN. Para nós só faz sentido a produção sustentável e é esse o nosso caminho, no sentido de provar que é possível criar produtos sustentáveis e com um design apelativo sem colocar em causa a durabilidade e o conforto. Para o futuro pretendemos criar um centro de inovação e desenvolvimento para o lixo plástico marinho com vista a desenvolver outras soluções e produtos com resíduos do mar.

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