Revista Rua

2019-06-28T15:52:17+00:00 Atelier, Moda, Radar

MAAT serve de inspiração para nova coleção de joalharia portuguesa

Sara Araújo
Sara Araújo28 Junho, 2019
MAAT serve de inspiração para nova coleção de joalharia portuguesa

Poderiam ser umas simples joias desenhadas apenas com o intuito de embelezar. Mas não.  A coleção Portuguese Jewellery X MAAT Special Edition lançada a 18 de junho pela Associação de Ourivesaria e Relojoaria de Portugal (AORP) e o Museu de Arte, Arquitetura e Tecnologia (MAAT) é inspirada nos traçados arquitetónicos do museu e conta com criações exclusivas de nove autores portugueses.

Desde o brilho dos azulejos aos desenhos da fachada do museu, passando pelo movimento do Rio Tejo, são várias as inspirações que estiveram na origem das criações de Ana Pina, Dalila Gomes, Joana Santos, Kathia Bucho, Leonor Silva, Maria Avillez, Mater Jewellery Tales, Romeu Bettencourt e Vangloria.  Tudo junto acabou por resultar numa coleção delicada e minimalista, com o lembrete de que, seja em que parte do mundo se encontrar, estará a usar uma joia inspirada num museu português.

A coleção dos nove autores que vieram agitar a joalharia portuguesa

Com diferentes áreas de formação, do design à arquitetura, das ciências exatas às humanas, o leque de autores, movidos por criatividade e um certo patriotismo, transporta características do museu MAAT para um anel, um brinco ou um colar.

Como para ver ainda não paga, aprecie abaixo alguns exemplares.

HORIZON LINE por Ana Pina

O anel de Ana Pina remete para a geometria presente nos desenhos da fachada do museu, bem como as formas geométricas, as linhas e as direções dos movimentos do edifício. Pelo sentido conotativo, o anel pousa na mão com a ergonomia com que o edifício assenta na margem e acompanha a ondulação do rio.

Ana Pina: um estilo moderno, versátil e feminino

As coleções de Ana Pina cruzam os seus conhecimentos de arquitetura, técnicas tradicionais de joalharia e conceitos contemporâneos de design, resultando em peças com inspiração marcadamente abstrata e geométrica. A autora tem a sua marca desde 2012 e o espaço Tincal Lab que funciona como showroom. As suas peças procuram alcançar um estilo moderno, versátil e feminino.

WAVE por Dalila Gomes

Dalila Gomes inspira-se no movimento de uma onda, que revê no contraste entre a cobertura que prolonga a paisagem e a fachada ribeirinha. Os brincos Wave revelam-se duas peças diferentes, conforme a sua visão. Lateralmente parecem ser apenas compostos por uma lâmina trapezoidal, mas, quando vistos de frente, exibem três lâminas curvas e ondulantes, permeáveis à luz.

Dalila Gomes Jewellery: tudo é desenhado ao pormenor

Tirou a sua licenciatura em arquitetura e usa e abusa de tudo o que aprendeu nas suas criações. Desde a geometria, a estrutura, a ‘simetria assimétrica’, o movimento, a ilusão de ótica, a sensação de infinito, entre outras. Dalila Gomes valoriza a qualidade das suas peças, pelo que tudo tem de ser pensado e metódico, para atingir a excelência.

HOMOGRAPHIC por Joana Santos

A fluidez gerada pelas curvas, o cruzamento de planos, as suas sobreposições, o efeito cromático do azulejo, o reflexo da luz e a escala humana da sala oval são as bases da peça Homographic de Joana Santos.

Joana Santos Jewellery: desenho minimal e geométrico

Tal como Dalila Gomes, Joana Santos também seguiu arquitetura. Mas, havia sempre algo que a puxava para a joalharia. Por isso mesmo, em 2013, iniciou a sua jornada de descoberta e aprendizagem. Sob a influência do curso que tirou, o seu desenho é minimal e geométrico. Mas não é só em formas arquitetónicas que se inspira, a autora procura estar conectada à natureza e à arte.

OVAL THE OTHER SIDE por Kathia Bucho

Os brilhantes do anel desenhado por Kathia Bucho refletem a luz do museu, que varia consoante a hora do dia e a estação do ano. Já a forma do anel, faz lembrar a curvatura do miradouro e da sala oval.

Kathia Bucho Jewelry: os detalhes inesperados

Kathia parte da exploração do seu universo quotidiano para criar peças minimalistas, com detalhes inesperados. É uma artista que gosta do tradicional, mas também tenta inovar, utilizando alguns materiais como plásticos, nylons e borrachas. Até o desenho, passa do papel para o digital.

WHERE THE WORLD TOUCHES YOU por Leonor Silva

A peça de Leonor Silva transporta-nos para o presente, o MAAT, mas também nos conecta com o passado. A autora inspirou-se na história portuguesa para criar o seu colar, recordando os navegadores, o rio Tejo e o ponto de partida da descoberta.

Leonor Silva Jewellery: uma joia consegue ser mais que um objeto

Dizem que a personalidade de uma pessoa acaba sempre por se refletir no trabalho. E é verdade. No caso da autora Leonor Silva, o humor e a ironia que usa para interpretar o que se passa à sua volta, faz com que crie joias que vão além da estética. Cada joia tem uma mensagem associada.

TRAPÉZIO ARTICULADO por Maria Avillez

O colar de Maria Avillez tem vários trapézios. Por um lado, representam as linhas e geometrias do edifício. Por outro, demonstram a união e integração dos elementos, contribuindo para uma peça única.

Maria Avillez Jewellery: formas gráficas e simples

O trabalho de designer gráfica não lhe permitia explorar tanto a sua componente manual e artística. Por isso, Maria Avilllez empenhou-se e aprendeu tudo o que podia sobre joalharia. Por influência da sua formação, as suas peças caracterizam-se por formas gráficas e simples, tendo no quotidiano a principal fonte de inspiração.

M por MATER jewellery tales

M de Maré, de Mar e de MAAT. Os brincos M resultam da inspiração na forma e textura da cobertura, marcada pela linearidade e brilho dos azulejos. Numa visão mais poética, simbolizam a ligação ao rio e ao mar que os portugueses sempre tiveram.

MATER jewellery tales: joias que contam histórias

Designer de produto na teoria, designer de joias no coração. Sara Coutinho encontrou a sua verdadeira paixão no mundo da joalharia e acabou por fundar a MATER jewellery tales. Cada uma das suas joias mistura a realidade com o sonho. O desafio da autora assenta na criação de uma peça, capaz de narrar uma história que fique para sempre guardada na memória.

PEARL OF MAAT por Romeu Bettencourt

A peça de Romeu Bettencourt projeta a modernidade do século XXI, bem como retrata a ligação entre arquitetura, tecnologia e arte, presente no MAAT. Tal como outras peças, o movimento do Tejo também está presente nas linhas do colar, que dão a ideia de ilusão ótica.

Romeu Bettencourt: de piloto a designer de joias

Em pequeno queria ser piloto, mas o destino trocou-lhe a rota e acabou por aterrar no mundo da joalharia. Romeu Bettencourt tira proveito das suas experiências e modelações plásticas para desenhar joias, marcadas por uma elegância subtil e formas sedutoramente femininas.

ROOF por Vanglória Jewellery Design

A curvatura pontuada pelo brilho do reflexo dos azulejos e a cobertura do edifício do museu encontram-se na essência dos brincos de Vanessa Pires.

Vanglória Jewellery Design: joias arrojadas e artesanais

O Marketing e Publicidade não lhe enchiam as medidas. Por isso, assim que a joalharia atravessou o seu caminho, Vanessa Pires percebeu o que realmente lhe fazia feliz. Todo o seu trabalho é produzido artesanalmente, combinando o mundo concreto das formas e a intangibilidade das emoções. Este processo dá lugar a joias arrojadas, plenas de simbolismo.

“Fruto desta ‘importação’ de talentos de diferentes áreas criativas – da arquitetura ao design, da arte ao marketing, há uma nova energia no setor”

Nuno Marinho, Presidente da Direção da AORP, acredita que a nova coleção de joias está recheada de ideias criativas, capazes de mexer com o setor de joalharia. “São reflexo da diversidade e versatilidade de estilos que encontramos hoje em dia na joalharia portuguesa. Fruto desta ‘importação’ de talentos de diferentes áreas criativas – da arquitetura ao design, da arte ao marketing, há uma nova energia no setor, que contagia não apenas a entrada de novos atores, como inspira as marcas mais tradicionais, que se sentem instigadas por esta efervescência criativa”.

Com o objetivo de apoiar e divulgar o talento nacional, a Fundação EDP associou-se a este projeto com artistas portugueses de diversas áreas profissionais.

Para quem estiver interessado, a coleção encontra-se à venda na loja do MAAT, pelo período de dois meses, em formato rotativo. Atualmente, podem apreciar o trabalho da autora Kathia Buch.

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